Superpolicial dos EUA é contra bloquear mídia social em tumultos

terça-feira, 11 de outubro de 2011 14:28 BRT
 

Por Michael Holden

LONDRES (Reuters) - O "superpolicial" norte-americano Bill Bratton, em visita ao Reino Unido para assessorar o governo depois dos tumultos ocorridos alguns meses atrás, disse nesta terça-feira ser contrário à ideia de bloquear os serviços de mídia social em períodos de inquietação civil.

Policiais e políticos vêm alegando que os saqueadores e manifestantes coordenaram suas ações e utilizaram serviços como o Blackberry Messenger e o Twitter para incitar problemas, durante os distúrbios em larga escala que tomaram o Reino Unido em agosto.

O primeiro-ministro David Cameron declarou, então, que o governo poderia considerar um bloqueio dos serviços de redes sociais em caso de futuros distúrbios, e executivos do Twitter e da Research in Motion, que fabrica o BlackBerry, foram convocados pelo governo para discutir a questão, no mês passado.

No entanto, Bratton, antigo comissário de polícia em Nova York, Los Angeles e Boston, cidades em que ele comandou uma queda dramática no número de crimes de rua --o que lhe valeu o apelido de "superpolicial"--, rejeitou essa medida, afirmando que ela teria impacto negativo sobre as "boas pessoas."

"Temos o potencial de causar choque ainda mais crítico a toda a comunidade," disse ele a um comitê parlamentar britânico, mencionando suas experiências pessoais de esforço de contato com familiares depois dos ataques do 11 de setembro.

Ele afirmou que as redes sociais também ajudam as autoridades a alertar o público sobre os locais em que estão ocorrendo distúrbios, e que a própria polícia, muitas vezes, depende de serviços como o Blackberry Messenger.

"Não há como negar que, em termos de policiamento, estamos sempre tentando recuperar o atraso diante do impacto da tecnologia," disse ele.

Bratton vai se reunir com o primeiro-ministro David Cameron e com a secretária do Interior Theresa May durante visita ao Reino Unido, e participará de uma conferência para falar sobre sua experiência com a repressão à violência das gangues de Los Angeles.

Cameron atribuiu a responsabilidade por grande parte dos distúrbios de agosto --os piores registrados em décadas no Reino Unido-- à ação de gangues de rua.