Grã-Bretanha é acusada de adotar padrão duplo na Internet

terça-feira, 1 de novembro de 2011 14:36 BRST
 

Por Adrian Croft

LONDRES (Reuters) - A Grã-Bretanha enfrentou críticas nesta terça-feira por considerar impor restrições nas mídias sociais depois dos recentes tumultos mesmo com a condenação do secretário de Relações Exteriores, William Hague, aos países que bloqueiam a Internet para evitar manifestações.

"Muitos países ao redor do mundo estão buscando ir além da interferência legítima ou discordam de nós sobre o que constitui um comportamento 'legítimo'", disse Hague na Conferência de Londres sobre Ciberespaço.

"Nós vimos na Tunísia, Egito e Líbia que cortar a Internet, bloquear o Facebook, interromper a transmissão da Al Jazeera, intimidar jornalistas e prender blogueiros não cria estabilidade ou faz com que as queixas vão embora... A ideia de liberdade não pode ser contida atrás de grades, não importa quão forte seja o cadeado."

Ministros, executivos do setor de tecnologia e ativistas da Internet de vários países iniciaram nesta terça-feira uma reunião de dois dias em Londres para discutir como enfrentar o crime e as ameaças à segurança na Internet sem prejudicar as oportunidades econômicas e a liberdade de expressão.

Um grupo anticensura acusou países ocidentais de adotarem padrões duplos, apontando que o primeiro-ministro britânico, David Cameron, chegou a considerar restringir as redes sociais depois dos tumultos nas cidades inglesas em agosto.

"É muito fácil defender esse caso de direitos humanos no preto e no branco contra as ditaduras ao redor do mundo, mas assim que nossa estabilidade de Estado ao estilo ocidental é questionada, então a liberdade de expressão é dispensável. Deveria haver uma regra para todos, inclusive para governos ocidentais", afirmou John Kampfner, presidente-executivo da Censorship, na conferência.

A conferência vai examinar meios de ampliar a cooperação internacional nas questões que surgiram com a rápida expansão da Internet. Enquanto países ocidentais se preocupam com crimes de propriedade intelectual e hackers, governos autoritários como China e Rússia estão alarmados com o papel das mídias sociais nos protestos que agitaram o mundo árabe este ano.

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