Após 520 dias, voluntários concluem simulação de ida a Marte

sexta-feira, 4 de novembro de 2011 10:24 BRST
 

Por Alissa de Carbonnel

MOSCOU (Reuters) - Pálidos, mas sorridentes, os participantes de uma experiência que simulou uma viagem a Marte receberam nesta sexta-feira aplausos e luz do sol, após 520 dias confinados em minúsculos espaços sem janelas.

A experiência Mars500, que custou 15 milhões de dólares, se dispôs a elucidar uma das grandes incógnitas das viagens espaciais: se as pessoas conseguiriam permanecer saudáveis e equilibradas durante os mais de seis meses de trajeto até o Planeta Vermelho.

Os seis voluntários, todos homens, se submeteram a condições muito próximas de uma viagem real - exceto a falta de gravidade. Eles recebiam rações como as dos astronautas de verdade, raramente tomavam banho, recolhiam amostras diárias de urina e sangue e passavam 24 horas vigiados por câmeras, exceto nos banheiros, como em um reality show de TV. Eles ocuparam um espaço de 550 metros quadrados em um instituto moscovita de pesquisas.

Mais de cem experimentos diferentes foram feitos durante o projeto. Na metade dele, três tripulantes vestiram trajes espaciais de 32 quilos e foram para um quarto escuro e cheio de areia, imitando a superfície marciana.

Ao saírem do isolamento, os voluntários - da Europa, Rússia e China - abraçaram rapidamente amigos e parentes, e seguiram para uma quarentena de três dias. "É realmente ótimo ver vocês todos outra vez, bem reconfortante", disse o ítalo-colombiano Diego Urbina, que parecia abalado e tinha os olhos vermelhos por causa da claridade

"Nesta missão alcançamos o mais longo isolamento, de modo que a humanidade pode ir para um planeta distante, mas alcançável", acrescentou.

Mas os psicólogos temem que agora o barulho e a atividade do dia a dia sejam um choque para os confinados.

"O tempo parece ter voado desde que fechamos a escotilha no ano passado. Mas como o tempo parece ter transcorrido para os tripulantes é algo que logo saberemos. Provavelmente teremos uma enorme diferença de opiniões", afirmou Igor Ushakov, chefe do Instituto Russo para os Problemas Biomédicos, que montou a simulação.   Continuação...