Ex-presidente da Olympus diz que está disposto a retomar o cargo

sexta-feira, 25 de novembro de 2011 11:06 BRST
 

Por Tim Kelly e Isabel Reynolds

TÓQUIO (Reuters) - O ex-presidente da Olympus saiu de um frio encontro com os diretores da empresa nesta sexta-feira convencido de que o conselho vai eventualmente renunciar diante do escândalo contábil envolvendo a companhia, mas disse que não está "implorando" para voltar e resolver os problemas.

O britânico Michael Woodford, que ainda é diretor da Olympus apesar de ter revelado o escândalo contábil na companhia e ser demitido como presidente, descreveu a reunião como um tenso encontro sem apertos de mão ou pedidos de desculpa de parte daqueles que o afastaram há cerca de um mês.

Ao contrário, disse ele, o conselho concordou que a outrora orgulhosa fabricante de câmeras e equipamentos médicos deve lutar para evitar a saída da bolsa de Tóquio, uma sanção que deixaria o negócio mais vulnerável a uma aquisição.

"Eu vejo muito sofrimento e angústia por nada", disse Woodford sobre a perspectiva da empresa ser retirada da bolsa. "Mas devemos ter a investigação, isso não deve ser abafado", afirmou o executivo em entrevista à imprensa após a reunião de quase duas horas na sede da Olympus, em Tóquio, onde ele foi abordado por repórteres e equipes de TV quando entrou e saiu do prédio.

Woodford, que está de volta ao Japão pela primeira vez desde sua demissão em 14 de outubro, disse que seu retorno ao posto não foi discutido na reunião.

"Eu não estou implorando para voltar", disse ele apesar de acrescentar que estaria disposto a retornar se os acionistas assim decidirem. "Eu não sou voluntário para isso, eu não sou um herói", disse.

Importantes acionistas internacionais da Olympus já pediram que Woodford seja recolocado no cargo imediatamente, afirmando que ele pode recuperar a confiança na companhia criada há 92 anos.

A Olympus demitiu Woodford, um raro presidente estrangeiro de companhia japonesa, afirmando que ele não conseguiu se adaptar à cultura do Japão e ao estilo de administração da empresa. Woodford afirma que foi cortado por questionar valores de pagamentos relacionados a fusões e aquisições.

A suspeita em torno da empresa é de possíveis vínculos entre os pagamentos e o crime organizado. Woodford, que deixou o Japão após sua demissão temendo por sua segurança, disse que não tem prova firme de atividades criminosas na empresa, mas pediu para as autoridades "seguirem o dinheiro".