HTC quer resistir à crise, mas crescem dúvidas sobre estratégia

segunda-feira, 28 de novembro de 2011 09:43 BRST
 

Por Jonathan Standing e Clare Jim

TAIPEI (Reuters) - A promessa da HTC de apresentar celulares novos e "competitivos" no começo do ano que vem pode não ser estratégica o suficiente para convencer os investidores de que conseguirá redespertar a capacidade de inovação que transformou a obscura fabricante terceirizada na quarta maior produtora mundial de celulares inteligentes.

Os modelos Desire, Sensation e Wildfire, da HTC, perderam terreno diante do iPhone, da Apple, e da linha Galaxy, da Samsung Electronics, o que conduziu a apelos por uma mudança de rumo em um mercado veloz e propenso a viradas.

Em uma primeira resposta à forte pressão que suas ações vêm sofrendo nos mercados -com queda superior a 30 por cento em nove dias de negociações-, o vice-presidente financeiro Winston Yung disse à Reuters nesta segunda-feira que a HTC não será uma segunda Nokia, que perdeu a liderança do mercado quando rivais mais ágeis deixaram para trás sua linha conservadora de produtos.

"Não creio que a situação seja assim tão séria," disse ele, apontando que mesmo as mais conservadoras projeções indicavam que a companhia embarcaria 45 milhões de unidades este ano, ante 25 milhões no ano passado.

"No ano que vem, nosso foco serão os produtos -mais numerosos e mais competitivos. Além dos novos telefones LTE para o mercado norte-americano, teremos novos modelos para o mercado mundial. Lançaremos produtos importantes em todo o mundo, e confiamos neles," disse Yung.

Mas os investidores estão preocupados por a HTC, uma das poucas empresas de Taiwan a ter sua marca conhecida em todo o mundo, não estar mudando de maneira suficientemente radical.

"Seu desenho industrial não mudou em quase dois anos. A menos que lance um modelo realmente diferente, terá dificuldades para vender produtos a preço premium," disse Roxy Wong, analista da Mirae Asset Management, em Hong Kong.

"A HTC tem desvantagem de marca diante de Apple e Samsung. As especificações de seu hardware são melhores que as da Apple, mas não que as da Samsung. E construir uma marca pode ser demorado, o que não deixa muito espaço para melhora de vendas pela HTC, a não ser que ela comece a cortar seus preços," acrescentou.