Será que a Zynga conseguirá se libertar do Facebook?

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011 11:27 BRST
 

Por Liana B. Baker

NOVA YORK (Reuters) - "Geramos substancialmente toda a nossa receita e jogadores por meio da plataforma do Facebook, e antecipamos que vamos continuar a fazê-lo no futuro previsível," informou a Zynga em seu prospecto de oferta pública inicial de ações.

Tecnicamente, a admissão é definida como um fator de risco. Mas, considerando que a Zynga, a popular produtora de jogos para celulares e redes sociais como "Mafia Wars" e "FarmVille," gera 95 por cento de sua receita via Facebook, a preocupação dos investidores é que seu relacionamento com a rede social criada por Mark Zuckerberg seja menos um fator de risco que um modelo de negócios.

E o desempenho que a Zynga apresentará como companhia de capital aberto -a empresa projeta levantar 925 milhões de dólares, com base em uma avaliação de valor de mercado de 9 bilhões de dólares, ao lançar suas ações na Nasdaq na sexta-feira- dependerá em larga medida de sua capacidade de se libertar do Facebook. Ou, ao menos, de convencer os investidores céticos de que é possível fazê-lo.

Até agora, porém, o ceticismo continua. Durante um almoço de apresentação da oferta pública inicial da Zynga, na segunda-feira em San Francisco, investidores dedicaram a maior parte de suas perguntas aos executivos da Zynga à questão do Facebook.

"Sempre que existe tamanha dependência com relação a uma única empresa é justificável que haja preocupação," disse Dan Niles, vice-presidente de investimento da AlphaOne Capital Partners, que não participou do almoço, mas assistiu a uma das apresentações da Zynga via Internet.

Sob uma perspectiva de investimento, ignorar o fato de que apenas 5 por cento dos 828 milhões de dólares em faturamento da Zynga nos nove primeiros meses do ano vieram do Facebook poderia ser prejudicial.

A Zynga admitiu o ponto em seu prospecto de abertura de capital, apontando que "qualquer deterioração em nosso relacionamento com o Facebook poderia prejudicar nossos negócios e afetar de maneira adversa nossas ações ordinárias".

O Facebook fica com 30 por cento de comissão sobre a receita que a Zynga aufere na rede social, que conta com mais de 222 milhões de usuários ativos de produtos Zynga, de acordo com o site de monitoramento de tráfego AppData. A Zynga obtém a maior parte de seu faturamento junto a menos de 3 por cento do total de usuários de seus jogos, que adquirem itens virtuais como caminhões e fichas de pôquer.   Continuação...