Na morte do líder norte-coreano, um buraco negro de informação

segunda-feira, 19 de dezembro de 2011 09:50 BRST
 

Por Jonathan Hopfner

SEUL (Reuters) - Poucos líderes nacionais morrem hoje em dia sem que ninguém fora de seu país saiba disso, sem nem mesmo uma menção no Twitter.

No entanto, aparentemente ninguém, o que inclui os serviços de inteligência sul-coreanos, estava ciente de que o líder da Coreia do Norte, Kim Jong-il, havia morrido na manhã de sábado -até que a morte fosse revelada em um anúncio emocionado da TV estatal do país, nesta segunda-feira.

Essa escolha de mídia mesma parece antiquada na Coreia do Sul, frequentemente citada como o mais conectado país do planeta, onde as notícias são cada vez mais distribuídas e dissecadas via celulares inteligentes e serviços de rede social.

Uma imagem noturna da península coreana registrada em 2002 mostra a Coreia do Norte como uma mancha escura, em forte contraste com o mar de luzes do próspero vizinho ao sul da fronteira mais militarizada do planeta. E, passada uma década, pouco mudou.

A morte de Kim parece ter sido mantida em segredo entre a pequena elite que controla o norte da Coreia. Não houve mensagens de Facebook ou Twitter, em um país onde as pessoas não têm Internet, para espalhar a notícia, ao contrário do acontecido na "Primavera Árabe".

Os internautas sul-coreanos, acostumados a um fluxo quase instantâneo de informações, ficaram quase tão chocados pela demora em divulgar a notícia quanto pela morte de Kim.

"A profundidade de informação que as fontes de inteligência sul-coreanas têm (sobre o Norte) é mais rasa que o Twitter", publicou o usuário Links_Arc, mencionando o popular serviço de microblogs. "É muito lastimável que o governo só tenha descoberto sobre a morte de Kim com dois dias de atraso."

"A política de hostilidade do atual governo para com o Norte resultou no fechamento dos canais de comunicação entre os países, e a China aumentou sua influência sobre Pyongyang", comentou o usuário EuiQKIM.   Continuação...