ANÁLISE-Telefonia europeia não é mais porto-seguro

sexta-feira, 20 de janeiro de 2012 19:34 BRST
 

Por Leila Abboud

PARIS, 20 Jan (Reuters) - As ações do setor de telecomunicações europeu há muito têm sido vistas como um porto-seguro quando o perigo bate à porta, mas a recessão, a competição veloz e custosas renovações de redes estão pressionando sua capacidade de pagar dividendos generosos.

As primeiras a ceder foram a Telefónica e a Telekom Austria, que diminuíram seus dividendos em dezembro, quebrando um tabu num setor que tem compensado o crescimento lento com altos rendimentos para seus investidores.

Agora, analistas dizem que KPN, France Telecom, Telecom Italia e Portugal Telecom poderiam ser as próximas a reduzir seus dividendos neste ano ou no ano que vem.

Com dividendos menores, as empresas tradicionais, especialmente os monopólios que costumavam ser propriedade de governos e hoje são atingidas por altos custos e dívida, têm pouco com o que atrair investidores.

Ao contrário de suas pares nos Estados Unidos, como AT&T e Verizon, as empresas de telecomunicação europeias ainda não conseguiram traduzir o apetite crescente de seus consumidores por smartphones e tablets em lucro.

A competição está gerando queda nos preços de celulares em vários mercados, enquanto a necessidade de investir pesadamente em infraestrutura de fibras de banda larga e novas redes de celulares de quarta-geração torna-se cada vez mais presente.

Empresas do setor de telecomunicações há muito têm sido capazes de levantar grandes quantidades de dívida em mercados de bônus com juros relativamente favoráveis por causa de seu fluxo de caixa constante. Por isso, tendem a ser altamente alavancadas.

Agora investidores estão associando diretamente as empresas de telecomunicação às classificações de dívida de seus respectivos países.

O analista Stuart Reid, da Fitch Ratings, disse que Telefónica, Telecom Italia e Portugal Telecom enfrentariam custos de empréstimos mais altos em mercados de bônus até que a pressão de crédito em seus países se assente.

"Se a Portugal Telecom e a Telefonica tivessem suas sedes na Alemanha, seus custos de financiamento seriam muito mais baixos", disse Reid. "Seus custos de empréstimos estão sendo guiados por eventos que fogem a seu controle e que não se ligam às operações das empresas".