IPO do Facebook testa suposição de crescimento fácil

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012 10:42 BRST
 

Por Alexei Oreskovic e Alistair Barr

SAN FRANCISCO, 2 Fev (Reuters) - No momento em que o Facebook dispara na direção de uma das maiores ofertas públicas iniciais de ações na história dos Estados Unidos, a lua-de-mel entre a companhia e os investidores pode já ter acabado.

O projeto iniciado por Mark Zuckerberg, 27, quando ele ainda era aluno da Universidade Harvard pode se tornar uma das companhias de Internet com maior valor de mercado quando começar a vender ações ao público. A expectativa é de que o valor de mercado da companhia possa atingir os 100 bilhões de dólares.

Mas os dias relativamente tranquilos de crescimento vertiginoso no número de usuários podem ser coisa do passado no Facebook, dizem analistas, já que agora a companhia está iniciando a difícil tarefa de cumprir as elevadas expectativas de Wall Street, e operará sob intenso escrutínio público.

O prospecto do Facebook para sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês), encaminhado às autoridades regulatórias dos EUA na quarta-feira, revela um negócio lucrativo e de rápido crescimento, que tem por base a receita publicitária e de transações online.

Mas os 3,7 bilhões de dólares em faturamento que o grupo obteve no ano passado ficam perto do extremo mais baixo das expectativas dos analistas e ressaltam a imensa distância que separa suas operações concretas atuais e as esperanças mais otimistas de muitos investidores quanto aos seus resultados.

"Dada a avaliação que as pessoas associam ao nome Facebook, é provável que elas venham a pagar um terço a mais do que deveriam simplesmente por causa do otimismo relacionado ao nome", disse Michael Yoshikami, presidente-executivo da YCMNET Advisors, uma empresa de gestão de patrimônio da Califórnia.

"Os números só justificam uma avaliação de 50 bilhões de dólares", ele disse, em referência à capitalização de mercado do Facebook.

O ritmo de crescimento do faturamento do Facebook -que foi de cerca de 88 por cento em 2011- justificaria uma avaliação de 65 bilhões de dólares, apontou Yoshikami, o que fica bem abaixo das avaliações entre os 75 bilhões e os 100 bilhões de dólares que a empresa estaria buscando, de acordo com fontes.   Continuação...