Analistas empenham-se para prever resultados da Apple

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012 11:26 BRST
 

Por Poornima Gupta e Noel Randewich

SAN FRANCISCO, 6 Fev (Reuters) - Pela manhã, Roberto Leitao tem um cargo administrativo em uma paróquia católica do sul da Califórnia. De noite, ele trabalha com sua outra paixão: prever os resultados da Apple.

Leitao é parte de um elenco de analistas amadores, blogueiros e entusiastas que analisam montanhas de dados a cada trimestre a fim de tentar adivinhar os resultados trimestrais da Apple -muitas vezes causando embaraço aos analistas profissionais ao apresentarem projeções mais precisas.

Co-fundador do Apple Independent Analysts Group, Leitao ocupava a sétima posição, em dezembro, dentre 50 analistas que cobrem a Apple, de acordo com a revista Fortune, que constatou que as projeções deles ficam mais próximas dos resultados oficiais do que as avaliações de bancos prestigiosos como o Goldman Sachs e Morgan Stanley.

Enquanto as avaliações de analistas profissionais sobre a receita e lucro por ação da Apple no trimestre passado apresentaram imprecisão, em média, de 21 por cento, as dos amadores tinham incorreção média de apenas 10 por cento, de acordo com dados da Fortune.

Isso leva a dúvidas de quão bom é o trabalho de Wall Street para projetar os resultados da Apple, maior companhia dos EUA em valor de mercado, famosa em superar as projeções do mercado trimestre após trimestre.

Leitao não acredita que ele e os mais de 100 membros do Apple Independent Analysts Group -que ele iniciou como hobby- sejam mais inteligentes que seus colegas profissionais. Sua interpretação é a de que Wall Street tende a ser mais cautelosa.

E o fato de que a Apple mesma ofereça projeções quase sempre modestas não ajuda. "No trabalho deles, existe risco maior em oferecer estimativas agressivas, altas demais", disse Leitao sobre os analistas das grandes corretoras.

Nos últimos dois anos, os resultados da Apple excederam as expectativas dos analistas de Wall Street consultados pela Thomson Reuters I/B/E/S em ao menos 13 por cento, e muitas vezes por margem bem maior. A exceção foi o terceiro trimestre de 2011, quando os números da empresa ficaram abaixo do consenso do mercado.

(Por Poornima Gupta e Noel Randewich em San Francisco e Edwin Chan em Los Angeles)