Sharp negocia com novos sócios para divisão de LCD

terça-feira, 10 de abril de 2012 10:58 BRT
 

OSAKA, 10 Abr (Reuters) - A Sharp, a última grande fabricante japonesa de telas de cristal líquido (LCD) para televisores, disse na terça-feira que mantém conversas com os fornecedores Toppan Printing e Dai Nippon Printing para venda de novas ações em sua principal fábrica, em Sakai.

A Sharp, que está sob pressão diante do excesso de oferta de LCD e da fraca demanda por televisores, aumentou a estimativa de perda para o ano encerrado em 31 de março para um prejuízo líquido recorde de 380 bilhões de ienes (4,8 bilhões de dólares), ante uma estimativa divulgada em fevereiro de 290 bilhões de ienes.

"Reconhecemos que a nossa estimativa foi otimista", disse Tetsuo Onishi, um executivo da Sharp, durante uma coletiva de imprensa.

A Sharp já fechou em março um acordo para vender uma participação acionária de 11 por cento na companhia à Hon Hai Precision Industry, de Taiwan, emitindo ações no valor de 66,9 bilhões de ienes.

Como parte do acordo entre a Sharp e a Hon Hai, o grupo taiwanês assumirá participação acionará de 46,48 por cento na mais avançada fábrica de painéis LCD do Japão.

A Sony, que detém participação de sete por cento na fábrica de Sakai, anunciou em março não ter planos de elevar sua participação, o que representa o fim de um acordo provisório anterior para um novo investimento.

No trimestre encerrado em 31 de dezembro, os prejuízos da fábrica de Sakai contribuíram para uma perda de capital de cerca de 180 bilhões de ienes. No final do período, a razão entre dívida e capital da Sharp era de 1,03 para um, seis vezes superior à média do setor e a mais elevada entre as companhias japonesas de eletrônica, de acordo com dados da Thomson Reuters.

Depois de anunciar uma revisão de projeções e a possibilidade de um prejuízo recorde, a Sharp no mês passado apontou Takashi Okuda, um executivo veterano, como presidente, substituindo Mikio Katayama, que se tornou presidente do conselho.

As ações da Sharp caíram em 17 por cento do começo do ano para cá, e mostravam queda de 4,3 por cento no pregão em Tóquio.

(Reportagem de Reiji Murai)