Olympus busca recomeço; ex-presidente pondera processo

sexta-feira, 20 de abril de 2012 11:05 BRT
 

TÓQUIO, 20 Abr (Reuters) - Os acionistas da Olympus aprovaram a composição do novo conselho de administração da empresa nesta sexta-feira, na esperança de um recomeço para a fabricante de câmeras e aparelhos médicos que ocultou 1,7 bilhão de dólares em perdas com investimentos, causando o maior escândalo das últimas décadas entre as grandes companhias japonesas.

Em uma assembleia geral de acionistas que teve momentos de tumulto, em um hotel em Tóquio, investidores institucionais japoneses, credores e fornecedores da Olympus votaram para aprovar a nova diretoria e cinco anos de contas corrigidas submetidas pela empresa.

O ex-presidente-executivo britânico da companhia, cuja demissão seis meses atrás foi o estopim para a revelação do escândalo contábil, anunciou que pode solicitar a anulação da votação, porque executivos da empresa se recusaram a explicar o motivo de sua demissão, supostamente por "má administração". Michael Woodford abriu um processo contra sua antiga empregadora no Reino Unido.

Embora a Olympus espere que a votação tenha deixado para trás um escândalo que resultou em queda de mais de 4 bilhões de dólares em seu valor de mercado, Woodford e investidores estrangeiros que detêm entre 25 e 30 por cento da empresa, querem mudar a cultura profundamente enraizada de participações acionárias cruzadas e relacionamentos estreitos entre bancos e conselhos.

O novo presidente será Hiroyuki Sasa, veterano com 30 anos de Olympus, enquanto o novo presidente do conselho será Yasuyuki Kimoto, 63, ex-executivo do Sumitomo Mitsui Financial Group (SMFG), principal credor da companhia, com 2,8 bilhões de dólares a receber, e detentor de 3,4 por cento de suas ações.

Grandes credores como o SMFG e o Mitsubishi UFJ Financial Group (MUFG) costumam estar entre os principais investidores de companhias japonesas, o que lhes dá influência nas decisões dos conselhos -esses relacionamentos estreitos foram elogiados pelos acionistas que chegavam à assembleia.

"Os bancos estão lá... e ajudarão em termos de capital", disse Eiichi Suzuki, 60, à Reuters. "A companhia já tem tecnologia de primeiro nível, basta consertar a gestão".

Sasa disse que sua missão é "reparar os danos à marca e reconquistar a confiança o mais rápido possível".

(Por Tim Kelly e Yoko Kubota)