25 de Maio de 2012 / às 18:56 / em 5 anos

Caso Facebook: Vale do Silício não rejeitará Morgan Stanley

Por Sarah McBride e Nadia Damouni

SAN FRANCISCO/NOVA YORK, 25 Mai (Reuters) - O Vale do Silício não está preparado para rejeitar o Morgan Stanley, mesmo depois do fiasco na oferta pública inicial de ações (IPO, em inglês) do Facebook.

Seria possível imaginar que o papel desempenhado na maior operação de abertura de capital do setor de tecnologia excluiria o coordenador líder ou pelo menos o marginalizaria, mas os problemas de imagem gerados pelo caso talvez não tenham destruído a posição do Morgan Stanley como banco preferencial do Vale do Silício para organizar subscrições, de acordo com representantes do mercado financeiro.

Os motivos alegados variam desde o tamanho da oferta -de 16 bilhões de dólares- até a parcela de culpa que cabe à Nasdaq, passando pelo forte relacionamento criado por Michael Grimes, o principal executivo do Morgan Stanley para o setor de tecnologia, e sua equipe com algumas das mais bem sucedidas empresas e executivos de capital para empreendimentos na região de San Francisco.

Uma semana após o IPO do Facebook, o Morgan Stanley -de acordo com fontes no Vale do Silício- está contando com esses fatores positivos para combater a raiva dos investidores e os processos judiciais decorrentes da decisão de seu analista de reduzir as projeções de faturamento e lucro do Facebook alguns dias antes da abertura de capital, mas só informar os grandes clientes da empresa a respeito, em vez de divulgar as revisões de maneira mais ampla.

“Seria raro um caso em que alguém os exclua, se tiver a chance de contar com seus serviços”, disse Scott Sandell, executivo de capital para empreendimentos na NEA, se referindo ao Morgan Stanley e ao seu principal rival no Vale do Silício, o Goldman Sachs.

O Morgan Stanley foi o maior coordenador de ofertas de ações do setor de tecnologia norte-americano no ano passado, subscrevendo 16 dos 37 IPOs realizados, segundo a Thomson Reuters, e vem mantendo a primeira posição até agora este ano.

Pelo menos outras seis companhias conhecidas de tecnologia que planejam abrir capital já selecionaram o Morgan Stanley para coordenar suas operações, entre elas, Palo Alto Networks e ServiceNow. Essas transações não devem ser postergadas ou canceladas, disseram fontes informadas sobre o assunto. Um porta-voz da Palo Alto Networks se recusou a comentar, e representantes da ServiceNow não foram localizados.

“Continuo a encarar o Morgan Stanley de modo muito positivo”, disse Jef Graham, empresário experiente do setor de tecnologia que atualmente é presidente-executivo da RGB Networks, empresa de publicidade online em vídeo que pode abrir capital no ano que vem. Ele trabalhou com o banco em diversas fusões e aquisições.

Uma das razões é que as empresas de tecnologia sabem que os grandes fundos mútuos e outros investidores institucionais que compram grande parcela das ações emitidas respeitam o Morgan Stanley, em parte porque este é seletivo quanto às emissões que organiza.

“Ter os nomes do Goldman e do Morgan Stanley em sua oferta de ações vinha sendo um selo de aprovação, até recentemente”, disse Tige Savage, executivo de capital para empreendimentos na Revolution.

CULPA

Alguns importantes investidores em tecnologia dizem que, embora o Morgan Stanley venha sendo culpado por alguns dos eventos sem precedentes ocasionados pelo IPO do Facebook, existem muitos outros culpados.

“Os serviços do Morgan Stanley são genéricos, e é difícil culpá-los especificamente porque há muita gente envolvida na decisão”, disse um dos investidores sob condição de anonimato.

O Morgan Stanley criticou a Nasdaq na quinta-feira pelos atrasos na distribuição de informações de transação no dia de estreia das ações do Facebook em bolsa.

A linha final de defesa do banco, que vem circulando pelo Vale do Silício nos últimos dias, é que a abertura de capital do Facebook foi uma transação única -uma oferta de valor imenso no setor de mídia social, que continua a ser uma incógnita e poderia ter causado problemas a qualquer banco.

Ainda assim, o Morgan Stanley deve enfrentar questionamento mais severo depois do Facebook.

“O banco visto como o melhor conquistou a oferta do Facebook, e a percepção geral é de que não a conduziu perfeitamente”, disse Savage. “Agora, eles têm uma questão a responder, o que no passado não acontecia”.

Outro efeito dos problemas no Vale do Silício, segundo executivos financeiros, é que as companhias podem passar a solicitar orientação mais frequente e cuidadosa de todos os envolvidos em uma operação de subscrição, e não apenas do principal coordenador.

“Ter uma liderança conjunta para um IPO é um dos argumentos que emergiu dessa situação”, afirmou um executivo de um banco de investimento rival.

Mas, por enquanto, a expectativa é de que o Vale do Silício continue a cortejar o Morgan Stanley.

“A marca do Morgan Stanley está um pouco maculada em relação à situação uma semana atrás. Mas isso não deve impedir que sejam escolhidos”, disse um executivo de outro banco de investimento rival.

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