30 de Maio de 2012 / às 19:58 / em 5 anos

SUMMIT-Oi venderá ativos não essenciais para reduzir dívida

Por Sérgio Spagnuolo e Alberto Alerigi

RIO DE JANEIRO, 30 Mai (Reuters) - A Oi terá uma estratégia agressiva para manter sua base de clientes, após ter se livrado do peso de uma complexa reorganização societária, e deve iniciar no segundo semestre processo de venda de ativos não essenciais para reduzir sua dívida.

"A gente tem uma lista grande de itens que estão sendo discutidos, uma quantidade grande de imóveis que hoje são completamente desvinculados da operação, imóveis vazios por exemplo, e estamos no processo de trabalhar no modelo de monetizá-los", disse o presidente da Oi, Francisco Valim, durante o Reuters Latin American Investment Summit.

Não foi divulgada uma expectativa de quanto pode ser arrecadado com os ativos, mas Valim afirmou serem "valores relevantes", e que haverá mais clareza sobre possíveis transações já no segundo semestre.

"A partir de agora iniciamos todos esses estudos, alguns deles em andamento, outros em precificação, por isso não podemos dar ideia precisa dos valores, mas todos eles são valores significativos e impactariam positivamente no nosso endividamento", acrescentou o executivo nesta quarta-feira.

O grupo encerrou o primeiro trimestre uma dívida líquida pro forma de 17,5 bilhões de reais. A alavancagem medida pela relação entre dívida e geração de caixa (Ebitda) estava em duas vezes.

Valim disse ainda que o cenário atual, com dúvidas quanto ao vigor do crescimento econômico do Brasil, não deve desviar a empresa dos objetivos traçados para 2015, quando prevê fechar o ano com cerca de 107 milhões de unidades geradoras de receita.

"A gente entende que as condições atuais da economia levam para um cenário não diferente do que a gente está hoje projetando", afirmou.

Segundo ele, por exemplo, ficar em casa na Internet ou utilizando a TV paga pode ser mais barato ao consumidor do que muitas outras atividades, como ir ao cinema, e cada vez mais os consumidores consideram acesso a serviços como banda larga algo "essencial".

FRONT OPERACIONAL

Valim afirmou que a Oi tem visto uma contenção na fuga de clientes na telefonia fixa em várias regiões, sem especificar localidades.

"Já identificamos várias regiões do Brasil... onde a gente já parou de ter perda líquida de clientes na fixa", disse ele. "Agora se começa a identificar algumas das nossas unidades (geradoras de receita) mostrando que tem crescimento zero ou até crescimento positivo, já é uma reversão de tendência importante."

"Vamos ser também bastante agressivos na retenção de nossa base existente", afirmou.

Isso será importante para a Oi à medida que a operadora trabalha para elevar o número de assinantes especialmente no segmento residencial, pela oferta de TV paga e banda larga, que ainda têm uma penetração relativamente baixa no país.

"É um mercado que a gente entende sim que tem possibilidades de primeiro estancar a perda de receita, e inclusive começar a crescer receita em função dos novos serviços que a gente começa a oferecer", destacou Valim.

O crescimento nesses segmentos deve aliar-se à oferta de Internet móvel de alta velocidade pela crescente contratação de serviços relacionados à mobilidade, em vista da popularidade de smartphones e tablets.

A Oi pretende ampliar sua cobertura de 3G de 65 para 80 por cento da população brasileira neste ano, o que deve ajudar a empresa a cumprir suas ambiciosas metas de crescimento anunciadas em abril.

Para Valim, "o Brasil ainda tem muito mercado a ser desenvolvido... e ter uma performance um pouco melhor do que nossos competidores nesse crescimento já pode garantir esse resultado que a gente já previu para 2015".

A operadora prevê um crescimento na receita líquida para 28,9 bilhões de reais em 2012, cerca de 1 bilhão de reais superior à do ano passado. Para 2015, a projeção é de 38,6 bilhões de reais.

LEILÃO DE 4G

A Oi deve participar do leilão das frequências 2,5 gigahertz destinadas à Internet móvel de quarta geração (4G), programado para 12 de junho, segundo Valim.

Ele ainda vê uma tendência de crescimento da tecnologia atual, de 3G, considerando um potencial início lento da adoção da próxima devido aos altos investimentos necessários.

Reportagem adicional de Walter Brandimarte e Diogo Ferreira Gomes

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