Condições em fábricas chinesas da Apple continuam árduas

quinta-feira, 31 de maio de 2012 10:41 BRT
 

Por Lee Chyen Yee e James Pomfret

HONG KONG, 31 Mai (Reuters) - As condições de trabalho nas imensas fábricas chinesas da Foxconn que montam os esguios aparelhos da Apple melhoraram muito pouco, apesar das promessas de um fim nas violações trabalhistas que as duas companhias fizeram este ano, disseram ativistas dos direitos dos trabalhadores e funcionários da Foxconn na quinta-feira.

O Foxconn Technology Group, principal fabricante terceirizado de equipamentos para a Apple, é dirigido pelo magnata taiwanês Terry Gou e emprega 1,2 milhão de pessoas na China. Nos últimos anos, a empresa foi criticada pelas condições precárias de trabalho nas imensas fábricas que produzem os dispendiosos iPhones e iPads.

No mês passado, Gou defendeu a estrutura industrial de sua empresa, que a ajudou a superar rivais por meio de grande economia de escala e de um sistema de controle custos que a tornaram a maior fabricante terceirizada de eletrônicos do planeta.

"O que há de errado com as nossas fábricas?", disse Gou a trabalhadores chineses que visitaram Taiwan no final de abril. "Nós trabalhamos arduamente, com suor e sangue, desde que não quebremos nenhuma lei. Acredito que cada um colhe o que planta", acrescentou, em um vídeo disponível no YouTube.

Depois de uma série de relatórios que criticaram práticas pouco seguras nas fábricas da Foxconn, causadoras de mortes e suicídios de operários, a Apple este ano permitiu que a Fair Labor Association (FLA) conduzisse uma investigação detalhada nas fábricas chinesas da Foxconn.

O relatório divulgado em março, baseado em entrevistas com 35 mil trabalhadores, revelou violações trabalhistas entre as quais jornadas de trabalho extremamente longas e horas extras não remuneradas. Como resultado, Apple e Foxconn prometeram grandes melhoras, com corte na carga de trabalho, avanços nos protocolos de segurança e melhoras na habitação e qualidade de vida dos operários.

Um novo relatório divulgado na quinta-feira pela Student & Scholars Against Corporate Misbehaviour (Sacom), uma organização de fiscalização que visitou fábricas da Foxconn e entrevistou 170 operários, constatou que violações de direitos "continuam a ser a norma", entre as quais metas elevadas de produção, tratamento desumano e sinais de um corte geral de salários.