Varejo usa ferramentas gratuitas do Facebook mas rejeita anúncio

sexta-feira, 15 de junho de 2012 12:15 BRT
 

CHICAGO, 15 Jun (Reuters) - Krishan Agarwal, presidente do Melrose.com, um site de comércio eletrônico de itens de luxo, contou a uma audiência repleta de profissionais do varejo online, na semana passada, como o Facebook ajudou sua companhia a obter 25 por cento de crescimento de vendas em dois anos.

Na ocasião, o executivo também fez uma revelação explosiva: a Melrose gastou menos de 1,5 mil dólares em anúncios no Facebook, no período. Para todas as demais operações feitas pela empresa no maior site de rede social do mundo, não houve custos.

"Algumas das ferramentas gratuitas são muito melhores que os anúncios do Facebook", disse Agarwal, ex-analista de investimentos no fundo de hedge Dalton Investment, durante conferência do setor, em Chicago.

A experiência de Agarwal vai ao cerne dos problemas que o Facebook está enfrentando ao tentar transformar sua gigantesca rede mundial de usuários em uma máquina de faturamento. Os anunciantes adoram a plataforma, mas não consideram que gastar dinheiro em anúncios seja necessariamente produtivo.

O Facebook espera sanar algumas dessas dúvidas por meio de novos formatos de anúncios que permitam acompanhar melhor o comportamento do consumidor. A empresa também está começando a inserir anúncios diretamente nas atualizações recebidas por todos os usuários, o que pode ajudar a companhia a enfrentar o desafio de como distribuir publicidade em aparelhos móveis.

Mas analistas vêm sugerindo com frequência cada vez maior que, no longo prazo, o Facebook pode ter de começar a cobrar por serviços que hoje fornece gratuitamente.

As preocupações sobre a dependência da empresa quanto a formatos publicitários que, ao contrário do acontecido com o rival Google, não mudaram o mercado ajudaram a provocar uma queda de 25 bilhões de dólares no valor de mercado do Facebook desde que abriu seu capital, no mês passado.

"Eles enfrentam um sério problema porque a maior parte de seus negócios depende do crescimento da publicidade", disse Sucharita Mulpuru, da Forrester Research. "Mas por que comprar a vaca se você recebe o leite de graça?", acrescentou.

(Por Alistair Barr)