Assange, do WikiLeaks, diz que está pronto para viver no Equador

sexta-feira, 22 de junho de 2012 08:33 BRT
 

CANBERRA, 22 Jun (Reuters) - O fundador do site WikiLeaks, Julian Assange, disse nesta sexta-feira que está pronto para viver no Equador e que o país tem dado apoio a seu pedido de asilo político.

Assange está abrigado na embaixada do Equador em Londres, onde fez um pedido de asilo numa tentativa de evitar a extradição para a Suécia. A Justiça sueca busca Assange para julgá-lo por acusações de abuso sexual, e ele pode ser preso pela polícia britânica se deixar a embaixada.

Em uma entrevista por telefone à TV ABC da Austrália, Assange disse que estava preocupado em ser enviado aos Estados Unidos, onde poderia sofrer acusações relacionadas ao site WikiLeaks, que publicou documentos diplomáticos secretos norte-americanos em 2010.

"O povo equatoriano tem dado bastante apoio. Eu ouvi o embaixador equatoriano na Austrália fazendo comentários de apoio", disse o ex-hacker australiano.

"Esperamos que o pedido de asilo seja visto de forma favorável. Agora é uma questão de reunir provas suficientes do que está acontecendo nos EUA e enviá-las com o pedido formal", acrescentou.

Assange disse não ter qualquer indicação de quando o Equador vai decidir sobre o asilo, e acrescentou que sua decisão foi motivada para chamar a atenção para o que os EUA têm feito para processá-lo em consequência dos vazamentos de 2010.

O presidente do Equador Rafael Correa, de esquerda, reiterou na quinta-feira que seu governo planeja fazer uma análise cuidadosa do pedido de Assange antes de tomar uma decisão.

"Não podemos permitir que uma pessoa que pediu asilo tenha que enfrentar a pena de morte, especialmente por crimes políticos", disse Correa a repórteres.

"Não podemos aceitar que haja uma condenação política contra as ideias expressadas por Assange", acrescentou Assange, que listou motivos pelos quais o Equador poderia dar o asilo.

Na Suécia, os promotores locais querem interrogar Assange sobre acusações de estupro e assédio sexual feitas por duas mulheres, ex-voluntárias do WikiLeaks, em 2010. Assange afirma que fez sexo consensual com elas.

(Reportagem de James Grubel, reportagem adicional de José Llangari e Eduardo Garcia em Quito)