3 de Julho de 2012 / às 15:19 / 5 anos atrás

Aquisição da Micron atenua expansões e contrações nos chips DRAM

SEUL/TAIPEI, 3 Jul (Reuters) - A aquisição da japonesa Elpida Memory pela Micron Technology colocará 90 por cento do mercado mundial de chips de memória, que movimenta 30 bilhões de dólares, sob o controle de três companhias, e pode pôr fim a uma era complicada de extrema volatilidade de preço, que forçou o fechamento de diversos concorrentes de menor porte.

A líder de mercado Samsung Electronics, a Micron e a SK Hynix -as três grandes fabricantes de chips DRAM (dynamic random access memory)- terão mais controle sobre capacidade de produção e investimento em um setor que deve crescer em quase um terço até 2016.

O mercado mundial de chips DRAM, usados principalmente em computadores, triplicou nos últimos dez anos, mas um padrão altamente cíclico de expansões e contrações destruiu algumas fabricantes de chips que enfrentavam dificuldades financeiras, como a maioria das companhias do setor no Japão e a alemã Oimonda, em 2009.

Produzir chips DRAM requer pesado desembolso em tecnologia e fábricas, mas esses investimentos vultosos geram excesso de capacidade e causam queda de preços -e estes tendem a se recuperar apenas quando acontece uma reacomodação no setor.

A indústria de chips de memória tem um histórico controverso de inquéritos sobre possíveis cartéis, nos momentos de alta de preço, e de acusações de dumping e subsídios governamentais nos períodos de queda.

"O setor de memória DRAM está a caminho de um oligopólio no mercado. A ascensão dos três grandes fabricantes de chips DRAM ajudará na estabilização gradual dos preços, o que colocará fim à concorrência travada em forma de cortes agressivos de preços, muito frequente no passado", afirmou o grupo taiwanês de pesquisa de tecnologia Trendforce.

A Micron, sediada em Boise, Idaho, está adquirindo a Elpida, fornecedora da Apple e maior empresa concordatária do Japão, em uma transação avaliada em 2,5 bilhões de dólares, e assumirá participação de 24 por cento na Rexchip Electronics, de Taiwan, ampliando a atual participação acionária de 65 por cento que a Elpida detém na companhia.

"A transação reduzirá a volatilidade de preços, porque a Micron terá mais controle sobre a expansão de capacidade e os planos de investimento, ao integrar a Elpida e a Rexchip", disse Song Myung-sub, analista da HI Investment & Securities, em Seul.

"Mas já tivemos consolidações semelhantes no passado e também esperávamos que reduzissem significativamente a volatilidade -que, no entanto, persistiu", acrescentou.

Por Miyoung Kim e Clare Jim

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