Em crise de caixa, Sharp tem poucas opções para sobreviver

segunda-feira, 6 de agosto de 2012 11:46 BRT
 

TÓQUIO, 6 Ago (Reuters) - Pode restar apenas uma opção para a sobrevivência da japonesa Sharp, que vem enfrentando uma crise de caixa: abandonar a fabricação de bens eletrônicos de consumo e aceitar um futuro como fabricante de componentes para a parceira taiwanesa Hon Hai Precision Industries, fornecedora da Apple.

A pioneira dos televisores LCD está em dificuldades e depende do apoio dos bancos Mizuho Financial Group e Mitsubishi UFJ Financial Group. Uma fonte nos principais bancos da Sharp disse à Reuters que as instituições podem insistir em uma associação mais estreita com a Hon Hai e na venda das operações relacionadas a LCD para levantar caixa, em troca de apoio.

Após projetar queda nos lucros e de sofrer rebaixamentos em sua classificação de crédito, os investidores começaram a questionar a viabilidade da centenária Sharp, que nesta segunda-feira continuava a insistir que a Hon Hai honrasse um acordo de injetar capital na companhia que representaria prejuízo para o grupo taiwanês.

Prejudicada pela concorrência estrangeira, pela queda na demanda por seus televisores e pela falta de clientes para seus painéis LCD, a Sharp registra queda de quase 75 por cento no valor de suas ações desde o começo do ano. O custo de proteger sua dívida contra uma possível inadimplência vem aumentando desde fevereiro.

Uma grande participação na Sharp daria à Hon Hai algum controle sobre mais uma porção da cadeia de suprimento da Apple. A Sharp fornece telas para os iPhones e Pads da companhia norte-americana, alguns dos quais são montados nas fábricas da companhia taiwanesa.

O destino das linhas de montagem de televisores da Sharp no Japão, Polônia, México, Malásia e China seria incerto, bem como o dos milhares de empregos que elas oferecem. A Sharp foi a primeira companhia japonesa a produzir televisores em massa, nos anos 1960.

"Eles teriam de fechar as fábricas de televisores nos mercados em que estão sofrendo prejuízo, e a Hon Hai poderia se interessar por algumas das demais", disse Yosuo Nakane, analista da Deutsche Securities em Tóquio.

(Por Reiji Murai e Tim Kelly)