21 de Agosto de 2012 / às 12:11 / 5 anos atrás

Na embaixada, Assange tem vida restrita mas conectada

Fundador do WikiLeaks, Julian Assange, fala com a imprensa do lado de fora da embaixada do Equador, no oeste de Londres. Vivendo a base de comida para viagem numa saleta com esteira ergométrica para queimar a energia acumulada e com uma lâmpada de vitamina D para compensar a falta de luz do sol, Julian Assange tem a coisa material que mais valoriza: um computador ligado à Internet. 19/08/2012 REUTERS/Olivia Harris

Por Karolin Schaps e Estelle Shirbon

LONDRES, 21 Ago (Reuters) - Vivendo a base de comida para viagem numa saleta com esteira ergométrica para queimar a energia acumulada e com uma lâmpada de vitamina D para compensar a falta de luz do sol, Julian Assange tem a coisa material que mais valoriza: um computador ligado à Internet.

O fundador do site WikiLeaks se refugiou há nove semanas na embaixada do Equador em Londres, na tentativa de evitar a extradição para a Suécia, onde é acusado de crimes sexuais. Temendo a prisão, ele vive voluntariamente como prisioneiro.

Mas o amigo Vaughan Smith, que o abrigou em sua mansão campestre durante um ano, período em que ele esteve sob prisão domiciliar à espera da decisão judicial britânica sobre a extradição, disse que o australiano está bem disposto e desfrutando da liberdade virtual pelo seu computador.

“Ele parece estar aguentando bem. A chave para entender Assange é que se ele tem um computador, está normalmente feliz”, disse Smith à Reuters após visitar a embaixada, que fica no primeiro andar de um prédio de apartamentos com tijolos à vista, no elegante bairro de Knightsbridge.

“A coisa que mais o preocupa é a possibilidade de não poder trabalhar adequadamente - e por isso ele parece menos entusiasmado por celas de prisão do que por embaixadas.”

No domingo, Assange falou à imprensa na sacada da embaixada, em sua primeira aparição pública desde que ele chegou ao local, em 19 de junho. Na semana passada, o governo esquerdista do Equador concedeu asilo político a Assange, mas o governo britânico ainda não desistiu de prendê-lo se ele tentar sair do edifício diplomático.

Em seus dez minutos de pronunciamento, o ativista de 41 anos vociferou contra a “caça às bruxas” que supostamente estaria sendo promovida pelos EUA. Em 2010, Assange irritou Washington ao divulgar pelo WikiLeaks milhares de documentos diplomáticos sigilosos dos EUA. Ele teme que a eventual extradição para a Suécia seja uma mera escala antes de ele ser entregue à Justiça norte-americana.

Na declaração pública, Assange mantinha o tom louro platinado no cabelo, que agora está bem curto. Vestia camisa bem passada e gravata, e parecia ter boa saúde, embora cansado.

Smith disse que Assange dorme e trabalha numa saleta que parece ter sido transformada às pressas em alojamento. No começo, ele tinha um colchão de ar, agora substituído por uma cama de verdade.

“É uma sala pequena. Tem uma janela, mas eu não a descreveria como arejada. Não vi instalações de cozinha, mas entendo que ele tem acesso a um micro-ondas. Ele tem acesso a um chuveiro. Um apoiador lhe deu uma esteira ergométrica”, disse Smith.

Ele não quis comentar a vista do quarto, para que o cômodo não seja identificado para quem está por fora. Desde que Assange chegou, as janelas da embaixada ficam com cortinas fechadas o tempo todo.

“É bem apertado. Ele dividiu o quarto com uma estante de livros entre uma parte de dormir e uma parte de não-dormir”, disse Smith. “O principal é que ele possa trabalhar. Ele pode realizar reuniões, pode convidar as pessoas para virem. Ele pode fazer o que precisa fazer.”

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