ENTREVISTA-Correa não antevê fim de impasse no caso Assange

quinta-feira, 23 de agosto de 2012 19:48 BRT
 

Por Eduardo Garcia

QUITO, 23 Ago (Reuters) - O presidente equatoriano, Rafael Correa, duvida que a Grã-Bretanha e a Suécia alterem sua posição linha-dura em relação ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, especialmente porque o caso envolve uma negociação com um país pequeno e pobre como o Equador.

O governante esquerdista disse em entrevista à Reuters nesta quinta-feira que permanece aberto ao diálogo sobre o destino do ativista eletrônico, que há mais de dois meses está refugiado na embaixada do Equador em Londres.

A Grã-Bretanha se diz determinada a extraditar Assange para a Suécia, onde ele é suspeito de crimes sexuais. Assange diz que a Suécia seria uma mera escala antes de ser transferido para os Estados Unidos, onde poderia ser julgado por ter divulgado em 2010 milhares de documentos secretos da diplomacia norte-americana.

"Sempre tivemos fé no diálogo. Nunca perdemos a esperança", disse Correa, que na semana passada concedeu asilo político ao australiano de 41 anos.

"Mas ... sou um pouco cético de que a Grã-Bretanha, a Suécia ou os Estados Unidos irão alterar sua posição, já que eles não estão acostumados a isso, e muito menos quando estão dialogando com um 'país do Terceiro Mundo' como o Equador. Sempre fomos subestimados, mas ainda temos esperança."

Apesar de Assange dizer que Washington pretende pedir a extradição dele, fontes norte-americanas e europeias disseram que os Estados Unidos não apresentaram nenhuma acusação criminal contra o fundador do WikiLeaks ou deram início a qualquer tentativa para extraditá-lo.

O governo do presidente norte-americano, Barack Obama, disse que o destino de Assange está nas mãos de Grã-Bretanha, Suécia e Equador.

O governo equatoriano diz que nunca pretendeu impedir que Assange enfrente a Justiça na Suécia, e que pediu a Londres e Estocolmo garantias por escrito de que o ativista não será extraditado para um terceiro país.   Continuação...

 
Presidente equatoriano, Rafael Correa, gesticula durante entrevista coletiva. O presidente equatoriano, Rafael Correa, duvida que a Grã-Bretanha e a Suécia alterem sua posição linha-dura em relação ao fundador do WikiLeaks, Julian Assange, especialmente porque o caso envolve uma negociação com um país pequeno e pobre como o Equador. 17/08/2012 REUTERS/Guillermo Granja