Líder da Hon Hai exige papel administrativo na Sharp

segunda-feira, 3 de setembro de 2012 10:46 BRT
 

TÓQUIO/TAIPEI, 3 Set (Reuters) - O presidente do conselho da Hon Hai Precision Industry está exigindo papel administrativo na Sharp como parte do acordo entre as duas companhias, pressionando a fabricante japonesa de TVs a conceder mais influência na companhia em troca de uma urgente e necessária injeção de capital.

A endividada Sharp está conversando com a Hon Hai sobre uma sociedade que daria a esta 9,9 por cento do capital da centenária empresa japonesa.

Terry Gou, presidente do conselho da companhia taiuanesa, visitou o Japão na semana passada mas partiu inesperadamente antes de uma reunião que tinha marcada com executivos da Sharp, o que alimentou as incertezas sobre a parceria.

"Se fosse apenas um investimento de capital, por que eu iria querer fazê-lo?", disse Gou ao jornal taiuanês United Evening News, em entrevista. "Não somos uma empresa de capital para empreendimentos".

Com as ações da Sharp continuam em queda, a empresa precisa cada vez mais da aprovação de Gou ao investimento, e argumenta que uma maior cooperação em telas de cristal líquido, pequenas e grandes, e outros negócios pode ser definida em data posterior.

Mas os comentários de Gou sugerem que ele pode aproveitar o desespero da Sharp para exigir um papel maior, quando Takashi Okuda, o presidente da Sharp, visitar Taipei.

"Se é o caso apenas de um investimento de capital, a Sharp pode conversar com seus bancos ou uma companhia de investimento. Não precisa da Hon Hai para nada", disse Gou ao jornal.

Gou investiu muito dinheiro e prestígio pessoal na busca por maior presença na Sharp, cuja tecnologia avançada de telas planas daria à Hon Hai uma vantagem na batalha para continuar a ser a principal montadora dos produtos da Apple.

Okuda quer uma reunião com Gou para acertar rapidamente o investimento, disse uma fonte à Reuters na segunda-feira, solicitando que seu nome não fosse mencionado. A visita a Taiwan pode acontecer ainda esta semana, o jornal Sankei já havia relatado.

"Não podemos revelar a agenda de nossos executivos, mas esperamos decidir as negociações o mais cedo possível", disse Miyuki Nakayama, porta-voz da Sharp.

(Por Reiji Murai, Tim Kelly e Mari Saito em Tóquio e Jonathan Standing em Taipé)