Cultura "anticrise" da Samsung atinge criatividade--designers

segunda-feira, 3 de setembro de 2012 11:04 BRT
 

SEUL (Reuters) - Em livro publicado em 1997, Lee Kun-hee, presidente do conselho da Samsung, escreveu que uma companhia de sucesso precisa de "um senso aguçado de crise", para que sempre possa estar olhando adiante mesmo quando está se saindo bem, e de capacidade de responder a mudanças.

É o credo que levou a Samsung Electronics a se tornar a maior empresa mundial de tecnologia em faturamento - ela vende mais televisores, celulares inteligentes e chips de memória que qualquer rival - e fez dela um exemplo para muitas companhias chinesas que desejam aprender os segredos do sucesso sul-coreano.

Mas depois da decisão judicial nos Estados Unidos no mês passado, que condenou a Samsung a pagar mais de 1 bilhão de dólares em multa por cópia de recursos importantes do Apple iPhone, a estrutura e processo decisório do grupo, onde tudo acontece de cima para baixo, foram acusados de sufocar a criatividade da companhia.

Aquilo que foi bom para fazer as coisas rapidamente, por exemplo na tomada de decisões ousadas sobre grandes investimentos em chips e telas, pode não ser a melhor fórmula agora para uma empresa que precisa deixar de ser um "seguidor rápido" para se tornar inovadora por direito próprio.

Dentro da Samsung, onde alguns projetistas se sentem negligenciados e enfraquecidos, há apelos por uma mudança de rumo.

A temática de "crise constante" funcionou bem, ajudando a Samsung a superar marcas japonesas como Sony, Sharp e Panasonic em chips, televisores e telas, tirar da Nokia a supremacia de uma década nos celulares e ultrapassar a Apple nos celulares inteligentes.

Mas isso tudo veio acompanhado por um rótulo prejudicial à inovação: o de que a Samsung fabrica imitações.

ENTRE O CÉU E A TERRA

"É uma crise de design", disse JK Shin, presidente da divisão móvel da Samsung aos seus subordinados, em fevereiro de 2010, enquanto a empresa trabalhava em seu primeiro celular Galaxy como resposta apressada e movida pelo medo ao sucesso imenso do iPhone em seu lançamento, de acordo com um documento interno da empresa apresentado ao tribunal dos EUA como parte do processo da Apple.   Continuação...