Google bloqueia vídeo sobre Maomé apenas na Líbia e Egito

quinta-feira, 13 de setembro de 2012 10:26 BRT
 

Por Gerry Shih e Sue Zeidler

SÃO FRANCISCO/LOS ANGELES, 13 Set (Reuters) - O site de vídeos YouTube, de propriedade do Google, não irá remover o clipe de um filme zombando do profeta muçulmano Maomé, que tem sido acusado de provocar os protestos anti-EUA no Egito e na Líbia, mas bloqueou o acesso a ele nesses países.

O clipe, com base em um filme de longa-duração, retrata o profeta como uma fraude e um mulherengo, e tem sido responsabilizado por provocar violência contra embaixadas dos EUA no Cairo, Iêmen e Líbia. O embaixador dos EUA na Líbia, Christopher Stevens, e outros três diplomatas norte-americanos foram mortos por homens armados em um ataque contra o consulado dos EUA em Benghazi, na Líbia, na terça-feira.

A resposta do Google à crise acentuou a luta que a companhia enfrenta, assim como outras empresas similares, para conciliar liberdade de expressão com preocupações legais e éticas em tempos em que as mídias sociais têm impacto nos eventos mundiais.

Especialistas dizem ter constatado que um grupo de empresas de Internet geralmente tem uma abordagem de não-responsabilização em relação a discursos políticos controversos, talvez motivado por considerações idealistas e de negócios.

Em uma breve declaração na quarta-feira, os dirigentes do Google rejeitaram a ideia de remover o vídeo, alegando que este não violava as políticas do YouTube, mas restringiram o acesso aos espectadores no Egito e na Líbia devido às circunstâncias especiais nesses países.

"Este vídeo - que está amplamente disponível na Web - está claramente dentro de nossas diretrizes e, portanto, vai permanecer no YouTube", disse o Google em um comunicado. "No entanto, dada a situação muito difícil na Líbia e no Egito, nós restringimos temporariamente o acesso em ambos os países."

A empresa acrescentou: "Nossos corações estão com as famílias das pessoas assassinadas no ataque de ontem na Líbia."

O clipe de 14 minutos é um trailer de um filme chamado "Innocence of Muslim" (A inocência dos muçulmanos), amplamente atribuído a um homem que se descreveu como um judeu israelense chamado Sam Bacile, que vive na Califórnia.

(Reportagem de Gerry Shih)