Sob pressão, ZTE vende subsidiária de sistemas de vigilância

terça-feira, 16 de outubro de 2012 11:32 BRT
 

16 Out (Reuters) - A ZTE, segunda maior fabricante chinesa de equipamento para telecomunicações, sob pressão nos Estados Unidos devido a preocupações sobre segurança cibernética, vendeu uma subsidiária que produz sistemas de vigilância.

A decisão de vender a ZTE Special Equipment, também conhecida como ZTEsec, foi tomada em 21 de setembro, ainda durante a investigação de um comitê do Congresso norte-americano sobre a ZTE e sua rival local Huawei Technologies .

O comitê do Congresso recomendou ao governo dos Estados Unidos que a Huawei e a ZTE sejam impedidas de operar no mercado norte-americano e aconselhou as companhias do país a suspenderem seus negócios com as duas empresas.

O relatório do comitê, publicado em 8 de outubro, afirmou que "não é possível descartar a preocupação quanto ao possível alinhamento entre a ZTE e as forças armadas, as atividades de inteligência ou institutos de pesquisa chineses". A ZTE nega que exista esse tipo de conexão.

Em documentação apresentada à bolsa de valores de Hong Kong em setembro, a ZTE, sediada em Shenzhen, anunciou ter vendido seus 68 por cento de participação na ZTEsec a 10 companhias de investimento chinesas, entre as quais o Shenzhen Capital Group.

A venda, de valor avaliado entre 360 milhões e 440 milhões de iuans (57 milhões a 70 milhões de dólares), permitirá que a ZTE "concentre seus recursos em suas operações principais, de acordo com as necessidades de seu desenvolvimento estratégico", a companhia declarou.

A ZTEsec, estabelecida em 2003 com capital registrado de um milhão de yuan, pode no futuro abrir seu capital nos mercados de ações chineses, a fim de levantar recursos para fins de pesquisa e expansão, disseram analistas de negócios.

No entanto, a empresa tem atraído atenção principalmente como a mais visível unidade da ZTE, vendendo equipamento de vigilância a governos e organizações policiais.

O site da ZTEsec em inglês descreve seus clientes como "agências policiais" cujo foco é combater grupos criminosos e terroristas que disseminam "mensagens hostis, se comunicam e trocam informações que colocam em risco a segurança de países e a vida das pessoas".

O site da empresa em chinês menciona as forças armadas da China, a polícia e operadoras de telecomunicações como principais clientes.

(Por Jeremy Wagstaff em Cingapura, Lee Chyenyee em Hong Kong e Steve Stecklow em Londres)