Consultoria levanta preocupações sobre auditores da Autonomy

quinta-feira, 22 de novembro de 2012 16:00 BRST
 

LONDRES, 22 Nov (Reuters) - Um grupo de consultoria a acionistas afirmou, nesta quinta-feira, ter alertado que a Deloitte prestou muitos serviços não relacionados à prática de auditoria para a Autonomy, o que poderia comprometer a independência com relação à empresa de software, comprada pela Hewlett Packard no ano passado e acusada de inflar seus números.

A HP comprou a empresa britânica por 11,1 bilhões de dólares no ano passado, um preço que muitos consideraram acima do que valia, e anunciaram na terça-feira uma baixa contábil de cerca de 5 bilhões de dólares devido a "sérias impropriedades contábeis" que inflaram os números da unidade antes do negócio.

A Autonomy negou ter cometido irregularidades, mas as contas do grupo de software agora são o centro de uma amarga disputa entre o fundador da empresa, Mike Lynch, e a HP.

"Antes da aquisição, a Autonomy despertou diversos alertas sobre o front da governança", disse o grupo de assessoria a acionistas Pirc, que aconselha fundos que investem um total de 1,5 trilhão de libras (2,4 trilhões de dólares).

"Na visão da Pirc, faltou representação independente apropriada, o que nos levou a opor à eleição de diversos diretores. Seu auditor também abocanhou significantes comissões não relacionadas a auditorias, o que consideramos algo problemático".

A Pirc diz que as somas pagas pela Autonomy para a empresa de contabilidade para outros serviços como consultoria sobre legislação, impostos e finanças corporativas constituíram mais do que 25 por cento do total pago pelo grupo à Deloitte, um nível que a Pirc considera significante em sua avaliação sobre se um auditor é independente com relação a seu cliente.

A Autonomy pagou à Deloitte 2,7 milhões de dólares em 2010, sendo 1,5 milhão de tarifas de auditoria e o resto descrito como taxas não relacionadas a auditoria.

O Instituto de Contadores Autorizados na Inglaterra e Gales, da qual a Deloitte é membro, diz em seu website que a orientação ética no Reino Unido não impõe limites sobre os tipos de receita que um auditor pode gerar de um cliente.

A entidade diz que a independência é garantida ao estipular que essa "receita de qualquer cliente, por qualquer serviço, seja mantida em não mais do que certa proporção da receita geral de serviços prestados".

"Não podemos discutir mais sobre nosso trabalho de auditores devido à confidencialidade do cliente. Vamos cooperar com as autoridades sobre quaisquer investigações sobre estas alegações", disse a Deloitte.

(Por Paul Sandle)