Mini-Apple da China conquista espaço nos celulares inteligentes

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012 12:49 BRST
 

Por Melanie Lee

PEQUIM, 7 Dez (Reuters) - A Xiaomi Technologies, da China, é um conto de fadas para os empreendedores nerds.

Menos de três anos depois de sua fundação, a fabricante de celulares inteligentes atingiu capitalização de mercado de 4 bilhões de dólares e atrai adoração semelhante à conquistada pela Apple da parte de seus fãs, alguns dos quais se dispõem até a faltar ao trabalho para comprar os novos produtos da empresa no dia do lançamento.

Como o falecido Steve Jobs, Lei Jun, fundador da Xiaomi, usa jeans e blusas pretas. Criou uma base de fãs fervorosos para os celulares inteligentes de baixo preço de sua companhia ao imitar a tática da Apple e dar aos seus produtos uma aura de exclusividade.

Antes da Xiaomi, Lei, de 42 anos, foi um dos principais investidores nos primeiros anos da Internet chinesa, co-fundando empresas como a Joyo.cn, posteriormente vendida à Amazon, e a YY, que recentemente abriu seu capital em bolsa.

Nascido em Xiantao, uma pequena cidade na província de Hubei, no centro da China, mais conhecida pelos ginastas olímpicos do que por empresários bilionários da tecnologia, Lei descarta as comparações com Jobs mas reconhece que o visionário da Apple o inspirou.

"A mídia chinesa diz que sou o Steve Jobs da China", ele afirmou em entrevista à Reuters.

"Aceito o cumprimento, mas comparações como essa nos colocam sob intensa pressão", disse Lei, cujo hobby na adolescência era montar rádios. "A Xiaomi e a Apple são duas companhias completamente diferentes. A base da Xiaomi é a Internet. Não estamos fazendo a mesma coisa que a Apple".

A Xiaomi já vendeu 300 mil unidades de seu mais recente modelo de celular, lançado em outubro. O Xiaomi phone 2 tem especificações parecidas com as do Galaxy S3, da Samsung Electronics, ou com o iPhone 5 DA Apple, mas sua versão mais cara tem preço de 370 dólares, metade do que custa o iPhone 5.

Ao contrário de grandes rivais chineses como a Lenovo, a ZTE e a Huawei Technologies , que trabalham em parceria com as operadoras de telefonia móvel para vender grande volume de celulares, a Xiaomi vende a maior parte de seus aparelhos via Internet, e em pequenos lotes.

A estratégia de venda restrita gera acúmulo de demanda e facilita o marketing da Xiaomi. O primeiro lote de seu novo modelo, com 50 mil unidades, foi lançado em 30 de outubro e se esgotou em menos de dois minutos. Lotes posteriores, e maiores, também se esgotaram em minutos.

 
Lei Jun criou uma base de fãs fervorosos de smartphones de baixo preço que receberam uma aura de exclusividade similiar a da Apple. 16/08/2012 REUTERS/Jason Lee