ANÁLISE-Resultados da Apple precisam superar mal-estar técnico

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013 16:16 BRST
 

NOVA YORK/SAN FRANCISCO, Estados Unidos (Reuters) - Para aqueles que estudam os indicadores técnicos de ações, a Apple parece ter problemas. Ainda que a companhia seja vista como subvalorizada depois de ter registrado na semana passada a mais baixa cotação em 11 meses e que 90 por cento das corretoras recomendem compra ou manutenção de seus papéis, os acionistas da Apple podem passar por momentos difíceis, se os especialistas em análise técnica de ações tiverem razão.

Eles apontam que gráficos indicam poucos pontos de preço nos quais os investidores podem esperar concentração de compra que sustente as ações da Apple. Por exemplo, o ímpeto da ação a médio prazo, baseado em sua aceleração nos últimos 50 dias, é de queda desde março, mas ainda não chegou a um ponto que estimule vendas exageradas.

Ryan Detrick, analista técnico sênior da Schaeffer's Investment Research, diz que aos preços atuais fica difícil encontrar um ponto claro de entrada, e define a ação como "problemática".

"Eles sofreram muitos danos técnicos, e a tendência de queda parece persistir", disse Detrick. "É uma ação que talvez seja melhor continuar evitando, e é bastante possível, em nossa opinião, que seu desempenho continue deficiente."

A Apple tem uma oportunidade de reverter essa situação ao reportar os resultados de quarto trimestre, em 23 de janeiro. Porém, os investidores estão incomumente nervosos porque há informações de que a companhia pode ter reduzido a compra de telas para iPhone e iPad, que juntos respondem por mais de 70 por cento de suas vendas.

Se a Apple for capaz de superar as expectativas mornas de Wall Street por larga margem, isso poderia ajudar a restaurar a confiança sobre sua ação no curto prazo. Não basta a empresa apenas cumprir as metas, pois isso poderia resultar em novas quedas no valor de suas ações no curto prazo, disseram alguns analistas.

A Apple só não atingiu as projeções de analistas em quatro ocasiões, nos 10 últimos anos. Mas duas delas ocorreram no segundo e terceiro trimestres de 2012.

"Se eles ficarem 10 a 15 por cento acima das projeções, haverá quem diga que a Apple voltou", afirmou Chris Bertelsen, vice-presidente de investimento da Global Financial Private Capital, uma empresa de Sarasota com 1,7 bilhão de dólares sob administração.

O fundo reduziu o peso das ações da Apple em sua carteira a menos de 1 por cento de sua carteira, ante 5 a 6 por cento no final do ano passado, mas Bertelsen diz que agora está voltando a ampliar a fatia. Ele vê positivamente as tendências de longo prazo da Apple, com o crescimento do mercado mundial de smartphones, especialmente nos países em desenvolvimento como Índia e Brasil.   Continuação...

 
Homem é visto em frente a loja da Apple em Xangai. Para aqueles que estudam os indicadores técnicos de ações, a empresa parece ter problemas. 14/12/2012 REUTERS/Carlos Barria