February 28, 2013 / 10:01 PM / in 4 years

Vale do Silício contesta gravidade de proibição do Yahoo ao teletrabalho

3 Min, DE LEITURA

Por Sarah McBride

28 Fev (Reuters) - A decisão de Marissa Mayer, a presidente-executiva do Yahoo, de proibir o teletrabalho pelos funcionários da empresa causou indignação nos Estados Unidos, mas levou muita gente no Vale do Silício a indagar sobre o motivo de tantas reclamações.

Trabalhar de casa é bastante comum no Vale do Silício, mas isso acontece em acréscimo às mais de 40 horas semanais que as pessoas passam trabalhando em seus escritórios, e não no lugar disso.

Apesar de sua imagem de informalidade e de as empresas sediadas lá serem responsáveis por boa parte da tecnologia que permite o teletrabalho, os profissionais da região da baía de San Francisco tendem a passar o dia trabalhando em seus escritórios, especialmente no caso de negócios iniciantes.

"Cada ideia que temos é resultado de duas ou mais pessoas se reunirem em uma sala para conversar ou tentar chegar a uma solução inteligente para determinado problema", disse Sahil Lavingia, fundador da startup de pagamentos Gumroad. "Coisas como essas não podem ser feitas via protocolo de Internet".

Isso não significa que Lavingia acredite que seu pessoal nunca deva trabalhar de casa. Na verdade, ele pensa o oposto.

"Todo mundo deveria estar equipado para ser tão produtivo em casa quanto no escritório, ou quase isso", diz. "Muita gente trabalha por horas antes e depois do expediente, ou nos finais de semana".

A nova norma do Yahoo, anunciada em um memorando datado de 22 de fevereiro, instrui todos os funcionários cujos acordos permitiam até agora que trabalhassem de suas casas a que passem a trabalhar nos escritórios da empresa. A regra entra em vigor em junho.

Muitos dos benefícios que as startups gostam de alardear - comida grátis, salas de jogos, trabalhar de chinelos - têm por objetivo segurar o pessoal no escritório. Isso vale tanto para os engenheiros - em geral homens e jovens - quanto para o pessoal de vendas e marketing.

E os ônibus particulares equipados com conexão Wi-Fi que transportam funcionários de San Francisco para as sedes do Google, Facebook e outras empresas do Vale do Silício têm por objetivo tornar mais produtiva a rota de e para o trabalho, para evitar que os funcionários proponham o teletrabalho como alternativa.

A falta de regras claras é outro marco da cultura das startups, e poucas dessas companhias têm normas rígidas sobre questões como o teletrabalho. Mas a mensagem é bastante clara.

Steve Jobs, co-fundador da Apple, gostava de falar durante horas com funcionários na sede da empresa em Cupertino, Califórnia. "Eu já vi carros no estacionamento bem tarde na noite, tendas em alguns escritórios de engenharia", disse ele em uma coletiva de imprensa em 2010.

Muitas companhias realizam reuniões reguladores nas quais todos os funcionários são fortemente encorajados a ir.

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