Próximo presidente da Intel pode fazer acordo com Apple

quinta-feira, 7 de março de 2013 11:02 BRT
 

SÃO FRANCISCO/NOVA YORK, 7 Mar (Reuters) - O próximo presidente-executivo da Intel deve orientar a maior fabricante mundial de chips para o segmento da produção sob encomenda, uma virada estratégica que poderia resultar em acordo com a Apple e dar à companhia a chance real de avançar no mercado móvel.

Fabricar chips sob encomenda de outras empresas seria uma mudança importante para a Intel, que há décadas baseia seus negócios no uso de sua competência industrial para oferecer chips de projeto próprio, e superiores aos produtos rivais, para uso em computadores.

Com a contração nas vendas de computadores e já que algumas de suas fábricas estão operando abaixo de sua capacidade, a fabricante de chips considera que existe uma oportunidade de colocar em uso suas linhas de produção ociosas e obter uma nova fonte de receitas.

A decisão também poderia representar uma espécie de porta traseira para a produção em larga escala de chips para aparelhos móveis, um segmento no qual a Intel não conquistou grande avanço depois de subestimar o impacto do iPhone e iPad, o que a deixou para trás de rivais mais ágeis.

A Intel anunciou na semana passada que empregaria sua tecnologia exclusiva de produção à fabricação de chips projetados pela rival Altera, conquistando seu primeiro cliente no segmento de produção terceirizada, que deve crescer.

Isso gerou rumores sobre um acordo com a Apple. Uma fonte conhecedora das duas empresas disse que executivos da Intel e Apple discutiram o assunto nos últimos meses, mas que não chegaram a um acordo.

"Se você pode ter um relacionamento estratégico no qual produz chips para uma das grandes empresas do setor móvel, é algo que você definitivamente deveria considerar. E para a Apple um acordo como esse representaria grande vantagem", disse Pat Becker Jr,, da Becker Capital Management, que detinha cerca de 39 milhões de dólares em ações da Intel no final do ano passado.

O plano da Intel implica em pesado investimento de capital, ainda que ela esteja encontrando dificuldade em seu mercado primário e não tenha encontrado demanda suficiente para manter ocupada as fábricas planejadas para o futuro.

Também significaria ingressar no setor de produção terceirizada, que depende de volume para propelir os negócios e portanto é altamente vulnerável a viradas na economia e forçaria a Intel a aceitar redução em suas margens de lucro, as melhores do setor.

(Por Noel Randewich e Nadia Damouni)