ANÁLISE-Após expansão acelerada, operadoras móveis miram rentabilidade

segunda-feira, 11 de março de 2013 20:56 BRT
 

Por Sérgio Spagnuolo

RIO DE JANEIRO, 11 Mar (Reuters) - Após o crescimento acelerado nos últimos anos, as operadoras de telefonia móvel agora estão deixando de buscar a ampliação da base de clientes para se concentrar no aumento da receita com a venda de pacote de dados e aumentar a participação das linhas pós-pagas.

Essa mudança de foco começou a ganhar ímpeto no final de 2012. Uma demonstração desse movimento é a desaceleração nas adições líquidas de linhas móveis: depois de crescer fortes 20 por cento em 2011, com recorde de novas conexões, no ano passado esse avanço foi de apenas 8 por cento, e deve continuar desacelerando este ano.

"Ter uma base muito grande não é necessariamente ter resultado", afirmou Roger Oey, analista da BES Securities, o qual espera crescimento na base de apenas 5 por cento para 2013.

"(Essa estimativa) não representa um crescimento vistoso... e isso começa a mudar um pouco o jogo, que era de crescimento em número de clientes e agora vai para a rentabilidade", afirmou à Reuters.

Dentro dessa estratégia, grandes operadores de telefonia móvel do país, como a Oi, a Telefônica Brasil e a TIM, têm tomado medidas para controlar suas bases de linhas pré-pagas e se movimentam para acelerar a geração de receita média por usuário (Arpu, na sigla em inglês), que é um indicador de rentabilidade.

O mercado brasileiro fechou 2012 com 262 milhões de linhas ativas (1,3 linha por habitante), sendo 80,5 por cento delas pré-pagas, que não geram receita previsível para as operadoras.

Toda vez que uma operadora habilita chip móvel para um usuário ela paga a um fundo de fiscalização do governo uma taxa de instalação de 26,83 reais, sem contar a taxa anual de funcionamento de 13,42 reais, de acordo com a legislação vigente.

Isso incorre em um custo para a operadora que nem sempre é recompensado, considerando que muitos usuários detém chips apenas para receber chamadas ou colocam créditos apenas para mantê-lo ativo, considerando que a operadora pode desativá-lo após três meses se não houver recarga.   Continuação...