Ataque cibernético a Seul expõe "guerra digital" norte-coreana

quinta-feira, 21 de março de 2013 11:30 BRT
 

Por Ju-min Park

SEUL, 21 Mar (Reuters) - Um ataque cibernético que afetou três redes de TV e dois grandes bancos da Coreia do Sul foi considerado pela maioria dos analistas como uma demonstração de força da Coreia do Norte, num momento de excepcional tensão na dividida península coreana.

Autoridades sul-coreanas atribuíram a violação de quarta-feira a um servidor da China, país já usado no passado por hackers norte-coreanos. Isso demonstra a vulnerabilidade da Coreia do Sul --a economia mais conectada do planeta-- a guerras não-convencionais.

A chancelaria chinesa disse que os hackers são um "problema global", anônimo e transfronteiriço.

"Hackers costumam usar endereços IP de outros países para realizar seus ataques", disse a jornalistas um porta-voz do ministério chinês, Hong Lei.

Uma fonte governamental em Seul atribuiu o ataque diretamente ao regime comunista norte-coreano, mas a polícia e a agência nacional de crimes informáticos disse que a apuração das responsabilidades pode levar meses.

Jang Se-yul, ex-soldado norte-coreano que formou hackers numa academia militar de Pyongyang antes de desertar para o Sul, em 2008, estima que o Norte tenha cerca de 3.000 militares, incluindo 600 hackers profissionais, na sua unidade cibernética.

O local onde Jang estudou, a Universidade Mirim, se chama hoje Universidade da Automação. Ela foi criada no final da década de 1980 para contribuir com a automação militar norte-coreana, e tem atualmente uma turma especial para formar hackers profissionais.

Os "guerreiros cibernéticos" norte-coreanos desfrutam de regalias como apartamentos de luxo, disse Jang à Reuters.   Continuação...

 
Um investigador entra no Centro de Resposta ao Terror Cibernético da Agência de Polícia Nacional da Coreia do Sul, na capital Seoul. Um ataque cibernético afetou três redes de TV e dois grandes bancos da Coreia do Sul e foi considerado pela maioria dos analistas como uma demonstração de força da Coreia do Norte. 21/03/2013. REUTERS/Lee Jae-Won