ENTREVISTA-Serviço 4G em 700 MHz não estará disponível para Copa--Anatel

quinta-feira, 11 de abril de 2013 13:07 BRT
 

Por Leonardo Goy e Alonso Soto

BRASÍLIA, 11 Abr (Reuters) - O serviço de telefonia móvel de quarta geração (4G) na faixa de 700 megahertz (MHz) não estará disponível a tempo para a Copa do Mundo de 2014, mas isso não deverá comprometer o uso de celulares pelos turistas que vierem ao torneio, disse à Reuters o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), João Rezende.

"Em 2014 não tem 700 MHz ainda, em 2014 vai ter de trabalhar no 2,5 gigahertz (GHz)", disse Rezende, lembrando que o leilão de 4G para essa faixa de frequência deve ocorrer em janeiro do ano que vem e que não haveria tempo hábil para implementar a frequência antes dos jogos, que começarão em junho.

Segundo ele, o 4G em 700 MHz só deve começar a funcionar a partir de 2015. Essa faixa é usada em vários países que possuem rede de quarta geração, e, sem essa frequência, parte dos turistas com celulares 4G que vierem ao mundial terá de usar a rede 3G.

O governo leiloou frequências de 2,5 GHz para uso pela telefonia 4G no ano passado, mas a infraestrutura construída nesse padrão, que deverá estar disponível nas cidades-sede, será incompatível com aparelhos que operam em 700 MHz.

A frequencia de 700 MHz é considera pela indústria como mais apropriada para a operação de telefonia 4G porque precisa de menos antenas para sua cobertura do que a frequência de 2,5 GHz. A faixa de 700 MHz hoje é utilizada no Brasil pela TV aberta análogica e o governo está propondo reorganizar essa frequência para transformar em digital o sinal das emissoras que a utilizam, liberando o espectro.

Rezende afirmou que acredita que usuários de 4G que vierem ao Brasil não deverão sobrecarregar a rede 3G do país. "Não acredito que vai ter muita gente nessa situação", disse.

Segundo ele, já há fabricantes oferecendo equipamentos que operam em várias frequências. Além disso, ele afirmou que, para evitar pagar as tarifas de roaming, o mais provável é que os torcedores estrangeiros comprem chips no Brasil.

"As pessoas acabam comprando o chip aqui. Fora as transmissões corporativas, um consumidor normal vai fugir do roaming. (...)A barreira não é tecnológica, é financeira", disse.   Continuação...