9 de Maio de 2013 / às 15:59 / em 4 anos

CENÁRIOS-4G ameaça melhoria da banda larga móvel atual

Pessoa usa site de mídia social em smartphone, no Rio de Janeiro. A corrida para a instalação da rede 4G no Brasil pode afetar os investimentos na melhoria da qualidade da banda larga 3G no curto prazo, com as operadoras tendo que dividir seus bilionários investimentos entre os dois segmentos ao mesmo tempo. 15/04/2013 REUTERS/Ricardo Moraes

Por Sérgio Spagnuolo e Daniela Ades

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO, 9 Mai (Reuters) - A corrida para a instalação da rede 4G no Brasil pode afetar os investimentos na melhoria da qualidade da banda larga 3G no curto prazo, com as operadoras tendo que dividir seus bilionários investimentos entre os dois segmentos ao mesmo tempo.

As operadoras estão agora correndo contra o relógio para cumprir as metas estabelecidas pelo governo federal de cobertura da nova tecnologia 4G nas cidades da Copa do Mundo de 2014. E como o cobertor é curto, elas podem ser mais contidas com o 3G, que atende a quase 70 milhões de usuários.

Representantes de Ericsson e Nokia Siemens, que juntas detêm mais de 70 por cento do mercado de estações rádio-base para 3G no Brasil, disseram à Reuters ter visto uma desaceleração nas encomendas desse segmento de janeiro a março por conta do 4G.

“Grande parte dos recursos foram canalizados para cumprir a meta de cobertura da Copa das Confederações, então deu uma segurada no 3G”, afirmou o diretor de tecnologia para América Latina da Nokia Siemens, Wilson Cardoso.

Apesar de esses fornecedores se mostrarem otimistas com o segmento nos próximos anos, a contenção na demanda por equipamentos 3G, mesmo que pontual, demonstra nova postura das operadoras após a chegada do 4G.

“Olhando para apenas um trimestre, eu não vejo muito impacto essa contenção, mas se estender para o ano inteiro pode afetar (o 3G)”, disse o presidente da consultoria Teleco, Eduardo Tude.

A cobertura geográfica do 3G já chegou a 3.400 municípios em março, segundo dados da Teleco. Mas isso é apenas parte do problema, apontam especialistas.

“Não tem como as operadoras não continuarem investindo no 3G... mas existem dois problemas: um é o congestionamento da rede e outro é a cobertura”, afirmou Tude.

E é justamente na capacidade da rede que a qualidade das conexões de banda larga móvel --como estabilidade e velocidade-- tem sido mais questionada por usuários, reguladores e instituições de defesa do consumidor.

“As operadoras não conseguem implantar um sistema na mesma velocidade que vendem (os planos)”, explicou Dane Avanzi, diretor superintendente da entidade de defesa dos direitos do consumidor de telecomunicações Instituto Avanzi.

“Se você tem determinada infraestrutura capaz de atender ‘X’ usuários, e você vende 3 vezes ‘X’, a sua qualidade vai ser negligenciada”, afirmou.

A banda larga móvel no Brasil disparou desde sua introdução no Brasil, em 2008, chegando a quase 70 milhões de usuários em março, segundo a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).

Um estudo da autarquia com 40 mil pessoas, divulgado no fim de abril, constatou que a velocidade de acesso e a estabilidade da banda larga móvel tiveram reprovações na faixa de 40 por cento entre os usuários de linhas pós-pagas --o segmento mais rentável para as operadoras móveis.

Em julho de 2012, a Anatel suspendeu as vendas de TIM, Claro e Oi em diversos Estados por 11 dias, por conta da má qualidade na prestação de serviços, e obrigou todas as empresas a apresentarem planos de melhorias. A ação da Anatel reforçou a percepção negativa dos serviços móveis no país.

“Tenho medo que o 4G seja uma nova geração de problemas em relação ao que a gente já vê no 3G”, disse Veridiana Alimonti, advogada do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor.

A própria cadeia de telecomunicações, por sua vez, reconhece as dificuldades. “Atualmente, 80 a 85 por cento da população (urbana) conta com cobertura 3G, mas não com a qualidade aceita de banda larga móvel”, afirmou o diretor de Inteligência de Mercado da Ericsson para América Latina, André Gildin, em entrevista recente à Reuters.

Gildin também disse ter visto contenção por equipamentos no primeiro trimestre. “A demanda por 3G não parou...mas, no fundo, é natural segurar um pouco o 3G para cumprir a meta do 4G”.

Em nota, TIM e Telefônica negaram ter reduzido as compras de estações rádio-base no começo do ano, ao passo que a Oi reforçou sua estratégia para crescer nesses segmentos. Todas as empresas, inclusive a Claro, disseram estar comprometidas com o avanço da cobertura 3G e 4G e também com a qualidade dos serviços e de melhorias das redes.

3G x 4G

O 3G é considerado uma das principais alternativas para a rentabilização da base de clientes das operadoras e só tende a crescer, segundo avaliações no setor, ao passo que o 4G ainda pode demorar anos para decolar em volume, mesmo oferecendo uma velocidade superior de conexão.

Mas se carece de volume, a rede 4G pode compensar em capacidade, ajudando a desafogar as redes de terceira geração, além de colocarem o país num patamar mais avançado de telecomunicações.

Negligenciar esse segmento poderia ser encarado como ficar para trás perante o avanço tecnológico do mercado, afirmou à Reuters o executivo de uma grande operadora. “Não dava para ninguém ficar fora do 4G”, disse o executivo que preferiu não ser identificado.

Assim, as maiores operadoras têm buscado alternativas para diluir os custos dos investimentos 4G. TIM e Oi já iniciaram parceria de compartilhamento de infraestrutura, enquanto Vivo e Claro estudam essa possibilidade.

INVESTIMENTOS

De qualquer forma, expandir o 3G e implementar o 4G ao mesmo tempo tem forçado operadoras a elevar seus investimentos, pressionando os gastos.

A Vivo, do grupo Telefônica Brasil, anunciou em março que investirá 12,5 por cento a mais neste ano, excluindo aquisições, para expandir sua rede de fibra ótica, aumentar a qualidade de serviços e, claro, instalar o 4G.

A TIM também elevou suas previsões de investimentos até 2015, em quase 20 por cento, em boa parte por causa do 4G, no qual espera gastar 1,5 bilhão de reais em três anos.

Já a Oi manteve sua meta de investimentos em 6 bilhões de reais neste ano, mas os gastos de capital no primeiro trimestre superaram em 55 por cento o montante aplicado no mesmo período de 2012. Os investimentos em 4G da Oi nos próximos anos totalizarão 800 milhões de reais.

Por sua vez, a Claro investirá 6,4 bilhões de reais até o fim de 2014, principalmente em infraestrutura para 3G e 4G.

Por Sérgio Spagnuolo, no Rio de Janeiro e Daniela Ades, em São Paulo

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