ANÁLISE-Oi recupera ânimo com Zeinal Bava, mas desafios continuam

terça-feira, 4 de junho de 2013 18:11 BRT
 

Por Sérgio Spagnuolo e Filipe Alves

SÃO PAULO/LISBOA, 4 Jun (Reuters) - A nomeação de Zeinal Bava, nesta terça-feira, para comandar a Oi dá mais confiança aos investidores de que o grupo de telecomunicações poderá atingir os resultados prometidos para os próximos anos, mas isso não significa que o caminho a ser percorrido pela companhia será mais fácil.

Bava tem uma reputação renomada no setor, tendo sido eleito por quatro vezes o melhor CEO do setor de telecomunicações na Europa, após liderar a Portugal Telecom, uma das principais acionistas da Oi, por cinco anos e conduzir empreendimentos rentáveis, como a implementação do 4G e o impulso de TV paga no país lusitano.

Antes do anúncio desta terça-feira, Bava presidia o Comitê de Engenharia e Redes, Tecnologia e Inovação e Oferta de Produto da Oi, no qual obteve conhecimento dos negócios da operadora brasileira e atuava ativamente, inclusive na busca por sinergias de produtos e tecnologias entre as duas empresas.

Analistas consultados pela Reuters unanimamente manifestaram satisfação com a indicação do novo CEO da Oi, afirmando que, além de ter expertise de executivo do setor, ele conhece bem a operadora brasileira.

Investidores também aprovaram a notícia, levando as ações da companhia dispararem na Bovespa. A ação preferencial fechou com alta de 16,8 por cento, enquanto a ordinária subiu 15,71 por cento.

"A ida de Zeinal Bava para a liderança executiva da Oi constitui um passo para uma maior aproximação e aproveitamento de sinergias entre as duas empresas", afirmou Guido dos Santos, analista do português Caixa Banco de Investimento.

Mas Bava tem um percurso difícil à frente e será preciso mais do que um bom currículo para superar alguns receios do mercado, disseram analistas e investidores.

Uma das principais preocupações é a capacidade da empresa de conciliar um grande plano de investimentos de 6 bilhões de reais por ano, uma generosa política de dividendos de 8 bilhões de reais até o fim de 2015 e uma dívida líquida crescente.   Continuação...