Revelações sobre vigilância alimentam debate de privacidade nos EUA

sexta-feira, 7 de junho de 2013 09:17 BRT
 

Por Mark Hosenball e John Whitesides

WASHINGTON, 7 Jun (Reuters) - O debate sobre se o governo dos EUA está violando a privacidade dos cidadãos ao tentar protegê-los do terrorismo atingiu um novo patamar na quinta-feira, com a revelação de que as autoridades colheram dados de milhões de usuários de telefones e exploraram os servidores de nove empresas da Internet.

A Casa Branca passou boa parte do dia defendendo a coleta secreta de registros telefônicos por parte da Agência de Segurança Nacional (NSA), o que o governo descreveu como uma "ferramenta crítica" para a prevenção de atentados. Mas críticos questionaram essas atividades de espionagem, reveladas inicialmente pelo jornal britânico Guardian.

No final do dia, a agitação em torno da coleta de dados de clientes de uma subsidiária da empresa de telefonia Verizon Communications foi ofuscada por uma reportagem do The Washington Post que descrevia um programa ainda mais agressivo de vigilância governamental.

O Post informou que a NSA e o FBI estavam explorando "diretamente" os servidores centrais de importantes empresas norte-americanas da Internet, tendo acesso a emails, fotos, áudios, vídeos, documentos, registros de conexão e outras informações que permitem que analistas monitorem movimentos e contatos de uma pessoa ao longo do tempo.

Algumas das empresas citadas no artigo --Google, Apple, Yahoo e Facebook-- imediatamente negaram que o governo tenha tido "acesso direto" aos seus servidores centrais. A Microsoft disse que não participou voluntariamente de nenhuma coleta de dados governamentais, e que apenas cumpre "ordens de solicitações sobre contas ou identificadores específicos".

James Clapper, diretor de inteligência nacional, disse que a reportagem contém "numerosas imprecisões".

Kristine Coratti, porta-voz do Washington Post, afirmou que o jornal mantém as informações publicadas, que se baseiam em um documento do NSA que o jornal publicou na Internet.

Juntas, as duas notícias sugerem que a vigilância nos EUA é muito mais abrangente do que a opinião pública sabia -- embora já houvesse a suposição disseminada de que tais práticas se tornaram mais difundidas depois dos atentados de 11 de setembro de 2001.   Continuação...

 
Diretor de inteligência nacional dos Estados Unidos, James Clapper, comparece a audiência no Senado sobre "ameaças globais", em Washington. O jornal Washington Post informou que a NSA e o FBI estavam explorando "diretamente" os servidores centrais de importantes empresas norte-americanas da Internet, tendo acesso a emails, fotos, áudios, vídeos, documentos, registros de conexão e outras informações que permitem que analistas monitorem movimentos e contatos de uma pessoa ao longo do tempo. Clapper diretor de inteligência nacional, disse que a reportagem contém "numerosas imprecisões". 31/01/2012. REUTERS/Kevin Lamarque