Espionagem do governo americano alarma empresas de tecnologia e legisladores

segunda-feira, 10 de junho de 2013 12:58 BRT
 

Por Joseph Menn e Jonathan Weber

SÃO FRANCISCO, 10 Jun(Reuters) - Revelações recentes sobre a extensa coleta de dados feita pela Agência de Segurança Nacional dos Estados Unidos (NSA, na sigla em inglês) ressaltaram o poder da vigilância eletrônica na era da internet, renovando um debate histórico sobre os limites do governo na espionagem de cidadãos de seu país.

Um ex-técnico de informática da CIA chamado Edward Snowden, que havia trabalhado como terceirizado para NSA, se identificou no domingo como a fonte das divulgações feitas sobre a vigilância do governo americano, publicadas nos jornais Guardian e Washington Post na semana passada.

As informações incluíam uma ordem judicial secreta para a empresa de comunicação Verizon entregar todos seus registros de chamadas referentes a um período de três meses, além de detalhes sobre um programa da NSA batizado de PRISM, que coletava e-mails, registros de chats e outros tipos de dados de companhias de internet. Entre essas empresas estavam Google, Facebook, Microsoft, Yahoo, AOL e Apple.

Autoridades da inteligência americana e empresas de tecnologia disseram que o PRISM é muito menos invasivo que o inicialmente sugerido pelas reportagens do Guardian e do Washington Post.

Uma série de pessoas familiares com as negociações travadas no Vale do Silício afirmaram que a NSA não tinha liberdade para remexer à vontade nos servidores e que os pedidos tinham que ser especificamente sobre contas tidas como estrangeiras pelas autoridades.

Ainda assim, as revelações alarmaram defensores da liberdade civil e legisladores que haviam apoiado medidas como o Ato Patriota, que deu novos poderes às agências de inteligência depois do 11 de setembro, e a promulgação de uma lei que passou a garantir imunidade às operadoras de telecomunicações na concessão de informações privadas para o governo.

"Essa é a lei, mas a maneira como ela vem sendo interpretada realmente tem me preocupado", afirmou o senador democrata Mark Udall à rede ABC, neste domingo. "É para mim uma violação da nossa privacidade, sobretudo se for feito de uma forma que nós desconhecemos."

Um ex-funcionário da NSA de alto escalão disse à Reuters que a análise desse amplo conjunto de informações foi essencial para as investigações da Agência. Se "um terrorista conhecido no Iêmen liga para alguém nos EUA, por que ele fez isso e o que aconteceu quando essa pessoa nos EUA começou a fazer chamadas para outros lugares do país?", ele perguntou. "Na superfície, isso se parece com o surgimento de uma célula de terrorismo."   Continuação...