Deutsche Telekom eleva segurança em e-mails após espionagem dos EUA

sexta-feira, 9 de agosto de 2013 15:59 BRT
 

BERLIM, 9 Ago (Reuters) - A maior operadora de telecomunicações da Alemanha disse nesta sexta-feira que começará a canalizar o tráfego de e-mails exclusivamente através de seus servidores domésticos, em resposta à indignação pública com a revelação de programas norte-americanos de espionagem que acessam mensagens privadas dos cidadãos.

A Deutsche Telekom lançou a campanha "e-mail feito na Alemanha" após um mês de matérias sendo publicadas sobre a espionagem dos Estados Unidos, com base nos documentos vazados pelo fugitivo Edward Snowden, ex-funcionário terceirizado da Agência Nacional de Segurança dos EUA(NSA, na sigla em inglês).

O escândalo, abordado nos jornais alemães durante semanas, tornou-se uma grande dor de cabeça para a chanceler Angela Merkel, antes das eleições de 22 de setembro.

A espionagem feita por governos é um assunto sensível na Alemanha, em função da pesada vigilância feita pelos nazistas no regime de Hitler e sobre os cidadãos da antiga Alemanha Oriental comunista.

"A campanha de espionagem abalou profundamente os alemães", disse o presidente-executivo da Deutsche Telekom, Rene Obermann, em uma coletiva de imprensa em Berlim nesta sexta, durante o lançamento da iniciativa com o objetivo de tornar as comunicações por e-mail no país "mais seguras".

A Deutsche Telekom e sua parceira United Internet, que detêm cerca de dois terços de todos os usuários de e-mail na Alemanha, disseram que iriam garantir a criptografia de todos os e-mails dos clientes.

A companhia, que chegou a deter o monopólio das telecomunicações no país e na qual o Estado alemão continua a ser o maior investidor, com uma participação de 32 por cento, afirmou que todo o processamento e armazenamento de dados acontecerá na Alemanha.

A revista alemã Der Spiegel publicou em junho que os Estados Unidos acessam meio bilhão de telefonemas, e-mails e mensagens de texto da Alemanha em um mês típico, citando um documento da NSA.

(Por Markus Wacket e Natalia Drozdiak)