14 de Agosto de 2013 / às 10:18 / 4 anos atrás

Oi fecha 2o tri com prejuízo, corta dividendo e ações tombam

Por Alberto Alerigi Jr.

SÃO PAULO (Reuters) - O grupo de telecomunicações Oi fechou o segundo trimestre com prejuízo, um resultado pior que o esperado pelo mercado e que veio acompanhado por forte corte nos dividendos anuais, o que fazia as ações da companhia recuarem forte nesta quarta-feira.

A empresa teve prejuízo de 124 milhões de reais no período, ante lucro de 347 milhões de um ano antes e de 262 milhões do primeiro trimestre de 2013. Analistas consultados pela Reuters, esperavam, em média, lucro líquido de 315,7 milhões de reais para a operadora.

O novo presidente-executivo da Oi, o português Zeinal Bava, ex-presidente da Portugal Telecom, afirmou a analistas que a empresa ainda não atingiu o grau de excelência operacional que ele espera, mas prometeu melhorias no desempenho nos próximos trimestres.

A promessa é baseada em ações para reduzir em pelo menos 50 por cento as provisões para devedores duvidosos, que dispararam 97 por cento no trimestre, para mais de 300 milhões de reais. Além disso, ele afirmou que Oi precisa focar mais em gestão dos investimentos de acordo com a geração de caixa e ampliar a produtividade de equipes de campo em 20 a 40 por cento.

Às 12h20, as ações da Oi exibiam queda de 4,7 por cento. No mesmo instante, o Ibovespa subia 0,3 por cento. As ações da operadora chegaram a cair quase 11 por cento mais cedo.

Enquanto a performance da empresa não apresenta os resultados esperados, o conselho de administração da Oi aprovou uma nova política de dividendos, que não é mais baseada em aspectos objetivos, como a manutenção de nível de alavancagem de três vezes a dívida líquida.

O plano anterior de distribuição de 8 bilhões de reais entre 2011 e 2014 foi substituído por uma estimativa de pagamentos anuais de 500 milhões de reais entre 2013 e 2016. Porém, o valor pode ficar abaixo disso, disse o diretor financeiro da Oi, Bayard Gontijo.

Os dividendos agora serão pagos com base na verificação do maior valor entre três variáveis: 25 por cento sobre lucro líquido ajustado, ou 3 por cento do patrimônio líquido ou 6 por cento do capital social.

"O valor será determinado pelo maior desses três parâmetros, o que indicamos é que hoje esse valor é estimado em 500 milhões de reais, mas pode ser menor do que isso, eventualmente, caso estes três parâmetros fiquem num patamar menor", disse Gontijo. O valor de 2013 será definido pelo conselho até outubro.

Zeinal, em sua primeira teleconferência a analistas desde que assumiu o comando da Oi em junho, afirmou que a operadora mantém a meta de investir 6 bilhões de reais em 2013. Mas como parte dos esforços de melhora na eficiência da empresa, o executivo afirmou que os dispêndios nos próximos anos poderão ser menores. A Oi investiu 3,2 bilhões de reais no primeiro semestre, crescimento de 30 por cento sobre um ano antes.

Segundo o executivo, a Oi precisa de uma nova arquitetura de Tecnologia da Informação capaz de apoiar o esforço de ganho de produtividade e de foco em venda de produtos convergentes como banda larga e TV por assinatura e o esforço de "internalização" de trabalhos de manutenção de rede pode gerar incrementos no custo da companhia "no curto prazo".

A Oi aumentou sua dívida em 25 por cento ao final do segundo trimestre, no ano a ano, para 29,49 bilhões de reais, e o caixa disponível despencou 50 por cento, para 4,09 bilhões.

Executivos da empresa comentaram que a Oi ainda tem linhas de crédito aprovadas de 8 bilhões de reais que podem ser sacadas a qualquer momento, o que leva as disponibilidades da empresa a 12 bilhões de reais.

Apesar do quadro financeiro considerado como frágil por alguns analistas, Zeinal evitou fazer comentários durante a teleconferência sobre uma eventual chamada de aumento de capital para a reforçar as contas da empresa.

Gontijo lembrou que a Oi espera para entre novembro e dezembro impacto positivo de 1,2 bilhão de reais relativo à venda da rede de cabos submarinos Globenet ao BTG Pactual, anunciada em meados de julho.

RESULTADO

No segundo trimestre, a Oi teve resultado operacional medido pelo lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) de cerca de 1,8 bilhão de reais, queda 16,4 por cento sobre um ano antes, com margem recuando de 31,1 para 25,4 por cento.

Zeinal afirmou que a Oi decidiu deixar de divulgar projeções de desempenho futuro e pediu paciência e compreensão dos investidores nos próximos seis meses, enquanto os números da companhia não refletirem os esforços de melhoria da nova gestão.

A Oi apurou alta de 2,4 por cento na receita líquida, para 7,07 bilhões de reais, com unidades geradoras de receita avançando 3,3 por cento, a 74,76 milhões.

O presidente da companhia disse que a Oi não deixará de ser "agressiva" no mercado, mas agirá com mais racionalidade na oferta de serviços e produtos. "Queremos que os números físicos se traduzam em fluxo de caixa", afirmou o executivo.

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