Governo chinês pressiona empresas estrangeiras a confessarem violações

quarta-feira, 21 de agosto de 2013 09:43 BRT
 

PEQUIM, 21 Ago (Reuters) - Um alto funcionário do governo chinês colocou pressão sobre cerca de 30 empresas estrangeiras, incluindo General Electric e Siemens, em uma recente reunião, para confessarem quaisquer violações antitruste, e as advertiu contra o uso de advogados externos para combater as acusações de reguladores, disseram fontes.

O encontro é uma evidência do que muitos advogados de defesa da concorrência na China vêem como táticas cada vez mais agressivas para fazer cumprir a lei anti-monopólio de 2008, e destaca a piora da relação entre as empresas estrangeiras e reguladores da China.

Duas fontes que estavam no encontro a portas fechadas nos dias 24 e 25 julho disseram que o alto funcionário mostrou a advogados internos como escrever o que eles chamaram de "auto-crítica" e cópias exibidas de cartas de empresas que admitem culpa em casos antitruste anteriores. Advogados empregados por algumas dessas empresas estavam na sala.

As duas fontes, e outra fonte com conhecimento direto da reunião em um pequeno hotel, em Pequim, disseram que o funcionário que entregou as declarações contundentes era Xu Xinyu, um chefe de divisão da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional (CNDR).

Uma das fontes na reunião disse que Xu falou, sem ser específico, que metade das empresas na sala foram objeto de inquérito ou tinham sido sondadas pela CNDR. "A mensagem era: se você ingressar numa briga, eu poderia dobrar ou triplicar suas multas. Esse discurso foi muito além do limite", disse a segunda fonte que participou da reunião, à Reuters.

A CNDR não respondeu a perguntas da Reuters. Xu não pôde ser contatado para comentar o assunto.

(Reportagem adicional de Kazunori Takada, em Xangai, Norihiko Shirouzo, Matt Miller, Paul Carsten em Pequim e Anna Ringstrom em Estocolmo)