Operadoras dizem que planos de reforma da UE trazem ganhos incertos

quinta-feira, 12 de setembro de 2013 15:57 BRT
 

Por Leila Abboud e Claire Davenport

PARIS/BRUXELAS, 12 Set (Reuters) - Os executivos de telecomunicações estão, em geral, pessimistas sobre as propostas para reformulação do regulamento do setor em curso pela União Europeia, porque os preços máximos e limites sobre as tarifas de roaming irão afetar seus lucros, enquanto as ideias que gostaram são menos certas de serem adotadas.

A Comissão Europeia anunciou reformas nesta quarta-feira para promover um mercado transfronteiriço de serviços de telecomunicações e estimular o investimento em redes para ajudar a recuperação da Europa, com os Estados Unidos e Ásia na corrida pela banda larga móvel.

A indústria recebeu bem algumas propostas, como dar o poder de veto à UE sobre os leilões de espectro móvel e deixando que os operadores cobrem as empresas de Internet para a realização de serviços de dados pesados ​​em altas velocidades.

Mas essas ideias são controversas entre os Estados membros da UE e o Parlamento, que deve ratificar a lei, e os executivos de telecomunicações temem que elas podem não passar.

Um deles, que não quis ser identificado, disse: "A curto prazo, as grandes operadoras devem sofrer. No longo prazo há ganhos, mas eles são incertos por causa do processo legislativo à frente".

Tal como é, as propostas que estão sendo guiadas pela chefe de telecomunicações da UE, Neelie Kroes, vão atingir o lucro dos operadores por causa das medidas favoráveis aos consumidores.

Elas iriam estabelecer um limite máximo em chamadas telefônicas fixas transfronteiras na Europa ao preço de uma chamada de longa distância nacional e limitar, a 19 centavos de euro por minuto, o preço para os usuários que fazem chamadas móveis transfronteiriças.

Analistas do JP Morgan estimam que a mudança iria custar 500 milhões a 1 bilhão de euros em vendas perdidas e lucro operacional para operadoras europeias.

A Vodafone seria a mais atingida, com 142 milhões de assinantes europeus e uma grande base de clientes corporativos, seguida por KPN, Deutsche Telekom e Orange, de acordo com a Bernstein Research.

(Reportagem adicional de Danilo Masoni, Simon Johnson e Kate Holton)