Críticos veem perseguição política em ação chinesa contra boatos online

quarta-feira, 18 de setembro de 2013 09:54 BRT
 

Por Megha Rajagopalan e Adam Rose

PEQUIM, 18 Set (Reuters) - A repressão do governo chinês contra a difusão de rumores pela Internet, amplamente vista como uma ferramenta para impedir críticas ao Partido Comunista, está engessando o discurso político, já que blogueiros influentes admitiram evitar postagens delicadas por temerem a prisão.

Advogados e ativistas dizem que a ação representa uma ampliação significativa dos poderes de polícia sobre a Internet, e um golpe em quem depende dos microblogs para disseminar informações sem o monitoramento rígido que há na mídia tradicional.

"Estou realmente assustado agora que qualquer denúncia pode levar a uma prisão", disse o advogado Zhou Ze, que tem mais de 165 mil seguidores no Sina Weibo, espécie de Twitter chinês. "Todos nós temos de falar menos, e com mais cuidado."

É comum que postagens politicamente sensíveis sejam eliminadas por censores, e que usuários sejam bloqueados. Mas as recentes detenções geraram temores de punições mais duras.

No cerne da questão está a interpretação jurídica, feita pelo principal tribunal do país, de que os blogueiros podem ser processados por postarem rumores que sejam vistos por mais de 5.000 pessoas, ou compartilhados mais de 500 vezes.

"Se os rumores puderem levar a detenções ou prisões, todos vão temer por si e ficarão particularmente com medo de criticarem autoridades, o que vemos cada vez menos na Internet", disse Zhou.

Uma estimativa fornecida à Reuters pela Weiboreach, firma que faz análises das redes sociais, mostra que, numa amostra aleatória de 4.500 usuários altamente influentes que se declaram funcionários do governo ou acadêmicos, o índice de eliminação de postagens cresceu bem mais em agosto do que entre usuários ligados ao entretenimento.

Os dados não fazem uma separação entre postagens deletadas pelo usuário e aquelas eliminadas por autoridades.   Continuação...