ANÁLISE-Na esteira da SEC, CVM mira uso de redes sociais

sexta-feira, 20 de setembro de 2013 10:31 BRT
 

Por Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O crescimento do uso das redes sociais por companhias abertas e seus executivos acendeu uma luz amarela para os reguladores do mercado brasileiro que já começam a discutir o assunto, a exemplo da norte-americana Securities Exchange Commission (SEC).

Mas a Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que já informou ao mercado que está monitorando as ferramentas e logo se manifestará sobre o assunto, deve ser mais restritiva quanto a permitir o uso desses recursos por empresas abertas e seus executivos, segundo analistas ouvidos pela Reuters.

Para a autarquia, a publicação dos fatos relevantes das companhias em suas páginas do Twitter ou Facebook é vista como um complemento das informações oficiais.

O regulador do mercado mencionou o assunto quando abriu audiência pública no fim de agosto para rever a regra de divulgação de ato ou fato relevante e de registro de emissores de ativos, mirando reduzir o custo de empresas já listadas.

Procurada, a CVM informou que não havia comentários adicionais no momento.

O assunto ganhou mais projeção com o uso frequente do Twitter pelo empresário Eike Batista, que elegeu a rede social- seu perfil hoje tem quase 1,4 milhão de seguidores - para demonstrar confiança em seus negócios, algumas vezes com comentários que geraram ampla repercussão entre investidores.

"(Estas informações) ficam na linha cinzenta se são oficiais ou não", disse o professor da Faculdade de Economia e Administração da Universidade de São Paulo (FEA-USP) e especialista em governança corporativa, Alexandre Di Miceli. Segundo ele, o caso levantou a questão de até que ponto empresas e executivos podem ir nas redes sociais.

Com o acirramento da crise que envolve o grupo, a presença de Eike na rede social passou a ser mais esparsa e as últimas postagens datam do final de maio.   Continuação...