September 25, 2013 / 10:41 AM / 4 years ago

Telefónica vai aumentar participação na Telecom Italia

4 Min, DE LEITURA

Homem passa na frente de edifício da Telefónica, no centro de Madri, 26 de março de 2013. O grupo espanhol Telefónica está aumentando sua participação na Telecom Italia sob um acordo complexo que fortalecerá a influência da companhia sobre uma importante rival na América do Sul, enquanto permitirá a sócios italianos saírem de um investimento não lucrativo.Juan Medina

MILÃO, 24 Set (Reuters) - O grupo espanhol Telefónica firmou um acordo para gradualmente assegurar o controle na Telecom Italia e em seu lucrativo negócio na América do Sul, sem precisar fazer uma oferta pública de aquisição integral.

O acordo de 860 milhões de euros (1,2 bilhão de dólares) em dinheiro e ações firmado nesta terça-feira permitirá à Telefónica aumentar sua fatia na Telco, holding que controla cerca de 22 por cento da Telecom Italia, e que outros investidores eventualmente saiam do negócio.

A Telefónica, que tem dívida de quase 50 bilhões de euros (67,46 bilhões de dólares), quer ter influência em relação ao que acontece com a Telecom Italia e sua operadora de celulares brasileira TIM Participações mas a um custo mínimo.

A operação ainda tem que receber aprovação de reguladores brasileiros, que poderão forçar a Telecom Italia a vender a TIM Participações se a Telefónica adquirir toda a Telco, disse uma fonte da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), à Reuters.

Apesar da dívida de quase 29 bilhões de euros (39,13 bilhões de dólares) e margens em declínio no mercado doméstico, a Telecom Italia era vista como um potencial alvo de aquisição, atraindo interessados como o magnata egípcio Naguib Sawiris e o grupo Hutchison Whampoa, sediado em Hong Kong. O grupo norte-americano de telecomunicações AT&T também teve contatos com a empresa, afirmaram pessoas com conhecimento do assunto.

O vice-ministro italiano da Indústria, Antonio Catricala, descartou na segunda-feira a intervenção do governo para manter o ex-monopólio estatal sob controle nacional, mas expressou seu apoio a um plano para vender a rede de telefonia fixa da empresa para um fundo apoiado pelo Estado.

A decisão do governo de não intervir poderia ter implicações para outros grandes grupos italianos, como a Alitalia que está sob interesse da Air France-KLM, acrescentando à lista de grandes grupos italianos adquiridos por acionistas estrangeiros.

Mas, por enquanto, o grupo espanhol assegurou que os parceiros italianos que procuram reduzir a sua exposição à Telecom Italia não possam vender suas ações para outro competidor.

"Acreditamos que este investimento adicional feito pela Telefónica na Telco foi o preço que a empresa estava disposta a pagar para manter suas opções em aberto na Telecom Italia e manter distante qualquer outro terceiro interessado na Telecom Italia e, especialmente, nos seus ativos brasileiros", afirmaram analistas do banco Espirito Santo.

Alguns analistas acreditam que a Telefónica poderá pressionar a venda e desmembramento da TIM, estimada em cerca de 10 bilhões de dólares, o que pode fortalecer a sua posição no Brasil, onde é dona da Vivo.

Crescimento

Pelo acordo, a Telefónica aumentará sua participação na Telco, que é responsável por nomear a maioria dos membros do conselho da Telecom Italia, para 66 por cento e, posteriormente, para 70 por cento através de dois aumentos de capital.

A operação avalia as ações da Telecom Italia detidas pelos seus parceiros italianos na Telco em 1,09 euro por papel. Integram o grupo de investidores a seguradora Generali e os bancos Intesa Sanpaolo e Mediobanca.

O valor corresponde a quase duas vezes o preço de mercado da ação, mas ficou abaixo do preço contábil registrado por dois dos investidores. Todos eles têm registrado redução no valor contábil do investimento feito em 2007.

A companhia espanhola usará algumas de suas ações para pagar parte da dívida da Telco.

Mas seus direitos de voto na Telco vão permanecer inalterados em 46 por cento --e a empresa não poderá comprar a participação de seus parceiros na Telco--, a não ser que o plano seja aprovado por reguladores antitruste, incluindo o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), no Brasil.

Além disso, os investidores italianos na Telco vão manter o direito de desfazer o pacto de acionistas em junho de 2014, deixando alguma incerteza sobre o futuro.

Reportagem adicional de Leonardo Goy, em Brasília

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