Resposta brasileira para espionagem na Internet pode dar errado, diz setor

quarta-feira, 2 de outubro de 2013 20:49 BRT
 

Por Esteban Israel e Alonso Soto

SÃO PAULO/BRASÍLIA, 2 Out (Reuters) - Para as empresas de tecnologia no Brasil, a decisão do governo de mirar as companhias em resposta à espionagem norte-americana é tão inteligente quanto enviar um email raivoso no calor de uma discussão.

O plano da presidente Dilma Rousseff de obrigar as empresas de Internet a armazenar dados de usuários dentro do país não terminará com as preocupações sobre segurança virtual no Brasil, e pode aumentar os custos e prejudicar futuros investimentos em um importante mercado emergente para empresas como Google, Facebook e Twitter, disseram analistas e executivos da indústria.

"Pode acabar tendo o efeito oposto do que se pretendia, e afugentar empresas que querem fazer negócios no Brasil", disse Ronaldo Lemos, professor na Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), que ajudou a formular a legislação de Internet no Brasil.

Dilma ficou indignada depois que documentos divulgados pelo ex-analista de inteligência norte-americano Edward Snowden mostraram que a Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA) espionou cidadãos brasileiros, a Petrobras e até mesmo as comunicações da própria presidente.

Em resposta, Dilma passou a priorizar um projeto de lei que exige que grandes empresas de Internet armazenem localmente dados reunidos nos servidores dentro do Brasil. De outra forma, elas não poderão fazer negócios em um dos mercados de tecnologia e mídia social que cresce mais rápido no mundo.

O projeto de lei ainda não foi publicado, e o número de empresas na mira do governo é incerto.

No entanto, o deputado petista Alessandro Molon (RJ), relator do Marco Civil da Internet, disse recentemente que o número de empresas afetadas poderia ser contado "nas duas mãos".

No que foi interpretado pela indústria como outro sinal de hostilidade, o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, sugeriu recentemente que as empresas de tecnologia não estavam pagando impostos suficientes.   Continuação...

 
Escritório do Google no centro de Dublin. 8/7/2013 REUTERS/Cathal McNaughton