7 de Outubro de 2013 / às 11:01 / 4 anos atrás

Brasil exige explicação do Canadá e chama embaixador após denúncia de espionagem

RIO DE JANEIRO, 7 Out (Reuters) - O Brasil convocou o embaixador do Canadá nesta segunda-feira e exigiu explicações do país sobre a denúncia de que o Ministério de Minas e Energia (MME) e um ex-embaixador brasileiro foram alvo de espionagem eletrônica por parte da agência canadense de segurança, em mais uma reação aos programas de vigilância dos Estados Unidos e aliados.

De acordo com denúncia feita pelo programa "Fantástico", da TV Globo, no domingo, com base em documentos vazados por Edward Snowden, as comunicações telefônicas e de computador do ministério, incluindo emails, foram mapeadas pela agência canadense, conhecida pela sigla CSEC.

A agência acessou ainda a comunicação entre computadores do ministério e de países do Oriente Médio, da África do Sul e até do próprio Canadá, disse o "Fantástico". Também foi alvo de espionagem o ex-embaixador do Brasil no Canadá Paulo Cordeiro, segundo a denúncia.

O chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, convocou o embaixador do Canadá em Brasília, Jamal Khokhar, para prestar esclarecimentos nesta segunda e manifestou o "repúdio do governo a essa grave e inaceitável violação da soberania nacional e dos direitos de pessoas e de empresas", segundo nota divulgada pelo Itamaraty.

A presidente Dilma Rousseff, que segundo outros documentos vazados por Snowden foi alvo de espionagem por parte dos EUA, voltou a apontar motivos econômicos para a vigilância no Brasil e cobrou o fim dessas ações.

"A denúncia de que o Ministério de Minas e Energia foi alvo de espionagem confirma as razões econômicas e estratégicas por trás de tais atos", afirmou Dilma em sua conta no Twitter nesta segunda-feira. "A reportagem aponta para interesses canadenses na área de mineração. O Itamaraty vai exigir explicações do Canadá."

Os programas secretos de vigilância da Internet e de telefonemas do governo dos EUA dentro do próprio país e no exterior foram revelados este ano por Snowden, ex-prestador de serviço da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês), que atualmente está asilado na Rússia.

Documentos vazados por Snowden anteriormente revelaram que os Estados Unidos espionaram as comunicações pessoais de Dilma e a rede de computadores da Petrobras. Em resposta, a presidente cancelou uma visita de Estado a Washington neste mês e usou seu discurso na Assembleia-Geral da ONU para criticar de forma contundente a espionagem, que chamou de "uma prática que fere o direito internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre os países".

"URGENTE" E "INADMISSÍVEL"

Dilma repetiu nesta segunda a condenação aos programas de espionagem. "É urgente que os EUA e seus aliados encerrem suas ações de espionagem de uma vez por todas", disse. "Isso é inadmissível entre países que pretendem ser parceiros. Repudiamos a guerra cibernética."

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, disse em nota que determinou uma rigorosa avaliação e reforço dos sistemas de proteção de dados e a análise do que possa ter sido objeto de espionagem. O ministro afirmou, no entanto, que os sistemas do ministério estão entre os mais seguros e a maioria das informações da pasta é de domínio público.

A embaixada do Canadá no Brasil, procurada pela Reuters, informou que não comenta a denúncia. A CSEC, a equivalente canadense à NSA, informou que não comentaria as atividades de coleta de informações de inteligência.

Antes da denúncia feita pelo "Fantástico" a respeito do Ministério de Minas e Energia, Dilma já havia usado o Twitter no domingo para novamente criticar a espionagem norte-americana.

A presidente disse também que o texto do Marco Civil da Internet, projeto enviado pelo governo ao Congresso que irá ampliar a proteção da privacidade dos brasileiros, servirá de base para uma proposta que será enviada à ONU para um marco civil internacional.

"A votação do nosso projeto do Marco Civil da Internet deve ocorrer nas próximas semanas", disse Dilma. "Nossa proposta para um marco civil internacional será enviada à ONU assim que nosso marco civil da Internet for aprovado", acrescentou.

Por Pedro Fonseca, com reportagem adicional de Leonardo Goy, em Brasília; Edição de Maria Pia Palermo

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