Brasil exige explicação do Canadá e chama embaixador após denúncia de espionagem

terça-feira, 8 de outubro de 2013 11:54 BRT
 

RIO DE JANEIRO, 7 Out (Reuters) - O Brasil convocou o embaixador do Canadá nesta segunda-feira e exigiu explicações do país sobre a denúncia de que o Ministério de Minas e Energia (MME) e um ex-embaixador brasileiro foram alvo de espionagem eletrônica por parte da agência canadense de segurança, em mais uma reação aos programas de vigilância dos Estados Unidos e aliados.

De acordo com denúncia feita pelo programa "Fantástico", da TV Globo, no domingo, com base em documentos vazados por Edward Snowden, as comunicações telefônicas e de computador do ministério, incluindo emails, foram mapeadas pela agência canadense, conhecida pela sigla CSEC.

A agência acessou ainda a comunicação entre computadores do ministério e de países do Oriente Médio, da África do Sul e até do próprio Canadá, disse o "Fantástico". Também foi alvo de espionagem o ex-embaixador do Brasil no Canadá Paulo Cordeiro, segundo a denúncia.

O chanceler brasileiro, Luiz Alberto Figueiredo, convocou o embaixador do Canadá em Brasília, Jamal Khokhar, para prestar esclarecimentos nesta segunda e manifestou o "repúdio do governo a essa grave e inaceitável violação da soberania nacional e dos direitos de pessoas e de empresas", segundo nota divulgada pelo Itamaraty.

A presidente Dilma Rousseff, que segundo outros documentos vazados por Snowden foi alvo de espionagem por parte dos EUA, voltou a apontar motivos econômicos para a vigilância no Brasil e cobrou o fim dessas ações.

"A denúncia de que o Ministério de Minas e Energia foi alvo de espionagem confirma as razões econômicas e estratégicas por trás de tais atos", afirmou Dilma em sua conta no Twitter nesta segunda-feira. "A reportagem aponta para interesses canadenses na área de mineração. O Itamaraty vai exigir explicações do Canadá."

Os programas secretos de vigilância da Internet e de telefonemas do governo dos EUA dentro do próprio país e no exterior foram revelados este ano por Snowden, ex-prestador de serviço da Agência Nacional de Segurança dos EUA (NSA, na sigla em inglês), que atualmente está asilado na Rússia.

Documentos vazados por Snowden anteriormente revelaram que os Estados Unidos espionaram as comunicações pessoais de Dilma e a rede de computadores da Petrobras. Em resposta, a presidente cancelou uma visita de Estado a Washington neste mês e usou seu discurso na Assembleia-Geral da ONU para criticar de forma contundente a espionagem, que chamou de "uma prática que fere o direito internacional e afronta os princípios que devem reger as relações entre os países".

"URGENTE" E "INADMISSÍVEL"   Continuação...