Ação da TIM cai depois de Cade decidir contra Telefónica

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013 12:21 BRST
 

SÃO PAULO, 5 Dez (Reuters) - As ações da TIM Participações caíam nesta quinta-feira, diante da percepção de parte do mercado de que uma eventual venda da companhia pode ocorrer em condições menos favoráveis, na esteira de decisão do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) sobre a participação da espanhola Telefónica na operadora brasileira.

Na quarta-feira, o órgão antitruste brasileiro determinou que a Telefónica se desfaça da sua posição direta ou indireta na TIM ou busque um sócio para compartilhar o controle da Vivo.

As condições foram impostas para aprovar a saída da Portugal Telecom do capital da Vivo, anunciada em 2010, devido ao fato de a Telefónica, que controla a Vivo, também ter participação na Telecom Italia, controladora da TIM.

As ações da TIM recuavam 2,73 por cento às 12h17, a 11,05 reais, enquanto os papéis da Vivo tinham valorização de 0,28 por cento, a 43,06 reais. No mesmo momento, o Ibovespa operava em alta de 0,33 por cento.

Depois da Telefónica ter elevado participação na Telco, veículo controlador da Telecom Italia, expectativas sobre uma possível venda da operadora brasileira ganharam força. Mas a decisão de quarta-feira levantou temores sobre as condições em que o negócio poderia ser realizado.

"A decisão do Cade... não elimina uma venda da TIM, mas tal venda provavelmente seria feita para um novo entrante no mercado. O preço pago por tal comprador seria provavelmente menor que o pago por operadoras existentes devido aos menores benefícios com sinergias", afirmaram os analistas Andrew T. Campbell e Daniel Federle, do Credit Suisse, em relatório.

Segundo um operador estrangeiro, embora o prazo imposto pelo órgão antitruste brasileiro não esteja claro, "o mercado está provavelmente pensando sobre uma rápida venda da TIM, o que significa que o preço que eles podem conseguir seria menor do que a avaliação da companhia feita pela maior parte das pessoas".

Tal entendimento, contudo, não era unânime. Analistas do Itaú BBA classificaram a notícia como benéfica para a empresa.

"Vemos a notícia como positiva para a TIM, pois ela traz urgência adicional para sua venda. Acreditamos que a Telefónica vai optar por vender a TIM em vez de uma fatia na Vivo", afirmaram, em nota ao mercado.

O presidente-executivo da Telecom Italia, Marco Patuano, disse no mês passado que a TIM é um importante ativo e que iria considerar a sua venda apenas por um preço "convincente". Uma fonte com conhecimento da situação disse que a Telecom Italia pretendia levantar pelo menos 9 bilhões de euros com a venda de sua participação de 67 por cento na TIM.

(Por Priscila Jordão; reportagem adicional de Danilo Masoni e Stephen Jewkes em Milão)