Empresas da Internet revelam dimensão dos pedidos do serviço secreto dos EUA

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014 20:40 BRST
 

SAN FRANCISCO, 3 Fev (Reuters) - Facebook, Microsoft, Yahoo e Google começaram nesta segunda-feira a publicar detalhes sobre o número de pedidos secretos de informações que eles receberam do governo, esperando assim mostrar que seu envolvimento nas ações de espionagem dos Estados Unidos foi restrito.

O setor de tecnologia vem pressionando por maior transparência nos pedidos de informação feitos pelo governo, procurando livrar-se de questionamentos sobre seu envolvimento em programas de vigilância amplos e clandestinos revelados no ano passado pelo ex-prestador de serviços do setor de espionagem Edward Snowden.

No mês passado o governo disse que iria flexibilizar as normas que restringem o que as empresas podem revelar sobre os pedidos de informações de usuários com base na Lei de Inteligência e Vigilância Estrangeira (Fisa), com ordens judiciais, que elas recebem. Várias empresas, incluindo o Google e a Microsoft, processaram o governo no ano passado em busca do direito de revelar mais sobre isso.

O conselheiro geral da Microsoft, Brad Smith, disse nesta segunda-feira que os dados mais recentes mostraram que a informação pedida pelo governo às empresas on-line não foi tão vasta como se temia.

"Nós não recebemos o tipo de solicitação de dados em massa que se costuma discutir em público, relacionado aos registros telefônicos", disse Smith. "Esse é um ponto que temos frisado de modo geral desde o semestre passado, e é bom finalmente ter a capacidade de compartilhar dados concretos".

De 15 mil a 15.999 contas de usuários da Microsoft foram alvo de ordens judiciais, atendendo ao setor de inteligência, de requisição de conteúdo durante os seis primeiros meses de 2013, disse a empresa.

Mas Smith citou reportagens da mídia, baseadas nos documentos vazados por Snowden, segundo as quais o governo pode ter interceptado informações dos usuários sem o conhecimento ou cooperação das empresas de tecnologia, por meio do grampos em cabos de comunicação que conectam centros de dados do Google e Yahoo.

"Apesar dos esforços de reforma do presidente (Barack Obama) e nossa capacidade de publicar mais informação, não houve ainda nenhum compromisso público dos Estados Unidos ou outros governos de renunciarem à tentativa de ter acesso a dados de empresas de Internet", disse ele no blog da Microsoft.

"Acreditamos que a Constituição requer que nosso governo busque informações de empresas americanas dentro das normas legais".   Continuação...