Oi divulga laudo sobre Portugal Telecom; minoritários contestam

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2014 19:02 BRT
 

Por Luciana Bruno

RIO DE JANEIRO, 21 Fev (Reuters) - A Oi divulgou nesta sexta-feira laudo de avaliação sobre os ativos da Portugal Telecom que serão usados no aumento de capital da operadora brasileira, e minoritários exigem que controladores sejam proibidos de deliberar sobre o documento, peça-chave para que a fusão ocorra.

A gestora Tempo Capital, uma dos dez maiores acionistas da Oi, entrou em novembro com questionamento na Comissão de Valores Mobiliários (CVM) exigindo que os controladores não tenham o direito de se manifestar em assembleia sobre o laudo de avaliação, alegando conflito de interesses.

A autarquia emitiu no início do ano decisão favorável à gestora, mas a Oi entrou posteriormente com recurso, que agora será avaliado pelo colegiado da autarquia.

A expectativa de Raphael Martins, sócio do Faoro & Fucci Advogados, que representa a Tempo Capital, é que o colegiado se manifeste antes da assembleia de acionistas, marcada para 27 de março.

"O importante é que uma etapa fundamental do processo vai ser deliberada pelos minoritários", caso a decisão da área técnica da CVM seja mantida, disse o advogado. "Sem aprovação do laudo, não tem operação (de fusão), já que o aumento do capital se dará parte em dinheiro, em oferta primária, e em parte com os ativos e passivos da PT".

Em outubro, Oi e Portugal Telecom anunciaram acordo para a fusão, que resultará na criação da CorpCo, uma multinacional com cerca de 100 milhões de clientes. A investida já previa a realização de um aumento de capital na operadora brasileira, e na quinta-feira, a Oi entrou com pedido de registro de oferta pública de ações na CVM.

No âmbito da fusão, a Portugal Telecom celebrou compromisso de subscrição do aumento de capital da Oi, em parcela a ser integralizada em bens.

A Tempo Capital avalia o laudo da PT, mas diz que uma "superavaliação" dos ativos teria como consequência diluir ainda mais a fatia dos minoritários na empresa, disse Martins.   Continuação...